Tipos
de Atenção
Nossos 5 sentidos podem ser ativados
conscientemente para focalizar a Atenção sobre um determinado
estímulo. Os condicionamentos, muitas vezes inconscientes, podem
proporcionar uma certa atividade de espera, mais ou menos orientada,
no sentido de confirmar ou não uma determinada expectativa.
Ao acrescentar mais sal na comida, por exemplo,
nosso paladar espera, com certa expectativa, constatar determinado
gosto, assim como esperamos ver, momentos antes, determinada cena de
acidente ao constatar a direção e velocidade de um carro de
corridas. Trata-se da espera pré-perceptiva. Outras vezes,
entretanto, quando os resultados fogem completamente da expectativa
perceptiva, acontece uma espécie de choque sensorial que dá origem a
um estado de surpresa.
Atenção Motora
Na Atenção motora, a consciência está concentrada na execução de uma
atividade física e muscular pré-programada. Ao olhar para um objeto,
por exemplo, a pessoa se inclina na direção desse objeto, e o
mecanismo ocular atua de forma que os olhos se dirijam ao objeto até
que este caia na fóvea; os músculos do cristalino se acomodam de
forma que a imagem fique no foco mais claro, etc. Ao ouvir um som
baixo a pessoa estica o pescoço para a frente, coloca sua mão atrás
da orelha, e pode fechar os olhos a fim de eliminar os estímulos
visuais concorrentes na tentativa de selecionar um determinado
objeto (sonoro) como foco de sua Atenção. Talvez seja por isso que
algumas pessoas têm que tirar os óculos de sol para prestarem mais
Atenção em sons ou imagens.
A Atenção motora se caracteriza também pela
tensão estática dos músculos, juntamente com uma hipervigilância da
consciência. Esta atividade de espera chamada por Pléron de
"atividade imobilizante", e exige um grande consumo de energia.
Veja-se, por exemplo, a brincadeira de tapa nas
mãos. Neste joguete um dos jogadores, aquele que dará os tapas, fica
com as mãos espalmadas para cima, enquanto o outro coloca suas mãos
sobre as mãos do primeiro. Repentinamente o primeiro tentará retirar
suas mãos e estapear as mãos do segundo. Vence o mais rápido. O
segundo deve retirar suas mãos, tão logo perceba que o primeiro
iniciou o movimento de estapeá-lo.
O papel da eficiência da Atenção, nesses casos,
consiste privilegiar os elementos automáticos da psicomotricidade,
ao mesmo tempo em que reduz os elementos intelectuais eventualmente
atrelados ao movimento. Esta forma de Atenção representa uma espécie
de alerta às atividades musculares que devem responder prontamente a
determinada situação no sentido de favorecer a adaptação.
Atenção Intelectual
Representa o ato de reflexão e de atividade racional dirigidos na
resolução de qualquer problema conscientemente definido. Apesar da
divisão da Atenção em Atenção Sensorial, Atenção Motora e Atenção
Intelectual, de certa forma a Atenção implica sempre em alguma
atividade intelectual, ora orientando os movimentos, ora dando
sentido às percepções.
Afeto e Atenção
Um dos fatores individuais de maior influência no processo da
Atenção destacam-se as condições do estado de ânimo ou de interesse,
os quais podem facilitar ou inibir a mobilização da Atenção.
Portanto, o elemento afetivo tem significação determinante no
processo da Atenção, admitindo-se que a pessoa só dirige a Atenção
aos estímulos que lhe despertam interesse. De fato, ao constarmos
que nossa Memória tem mais afinidade para as coisas que nos
despertam maior interesse, estamos falando antes, que nossa Atenção
(indispensável para a Memória) é mobilizada mais prontamente pela
nossa afetividade.
Nossa Atenção sobre algo é tanto mais intensa quanto mais nos
interessa esse algo, quanto mais desejamos conhecê-lo e
compreendê-lo, quanto mais isto nos proporcione prazer ou
satisfação. É por isso que, durante os episódios depressivos, onde o
prazer e o interesse estão significativamente comprometidos, a
Atenção e a Memória estarão também severamente prejudicadas; por
falta de interesse e prazer.
Despertam mais nossa Atenção as coisas com as
quais mantemos algum laço de interesse, alguma predileção. Passeando
num shopping as pessoas detém-se (prestam Atenção) diante das
vitrinas que lhes despertam maior interesse, que mais lhes mobilizam
afetivamente. Ao estudarmos a sensopercepção também constatamos o
fenômeno de predileção sensorial de acordo com as tendências
afetivas, como é o caso do artista, capaz de perceber com mais
acuidade a obra de arte. A Atenção seria a principal parte dessa
predileção sensorial.
De acordo com o papel que determinado estímulo
desempenha ou possa eventualmente desempenhar na vida pessoal, ele
exercerá uma força maior ou menor de atração sobre a Atenção. A
Atenção realiza uma seleção natural de seus objetivos em função da
disposição pessoal, a qual tende a iluminar determinados objetos. A
Atenção está sempre dirigida para algo conscientemente desejado e
esse tipo de disposição da pessoa para com o objeto é chamado
interesse. O interesse e a Atenção estão tão intimamente ligados que
não é possível existir Atenção completamente desprovida de interesse
(Stern).
Níveis e Distribuição da Atenção
Ao estudar a extensão do campo de Atenção, julga-se muito mais
importante a captação de uma totalidade ou captação do todo
significativo, que a quantidade de objetos que a serem captados pela
Atenção. Para William Stern, a Atenção é a condição imediata para a
produção de uma realização pessoal e suas características consistem
num esclarecimento consciente, na concentração de uma força psíquica
disponível para o esclarecimento da realidade.
A Atenção da pessoa, num determinado momento pode estar distribuída
de várias maneiras no campo da realidade. Pode estar concentrada num
único objeto, dando-se pouca Atenção ao resto, pode estar
difusamente espalhada, sem que uma parte específica esteja
predominantemente em foco ou, por fim, pode estar dividida entre
vários objetos, quando então a pessoa procura prestar Atenção,
simultaneamente, a duas ou mais coisas. Quanto maior a divisão da
Atenção entre objetos, maior a perda de qualidade da Atenção dada a
cada parte.
Conforme vimos acima, a amplitude limitada da
apreensão, e o fato de que quanto maior a divisão da Atenção menor a
sua qualidade, acentuam a necessidade da organização perceptual.
Quando algumas partes do campo são organizadas em todos maiores, a
Atenção necessária para percebê-las eficientemente será menor do que
quando as partes são simplesmente observadas separadamente.
Através da organização e do agrupamento de
objetos a serem percebidos podemos estender a amplitude da Atenção.
Se separarmos nove grãos de feijão em três grupos de três grãos,
podemos vê-los mais facilmente. Este é um exemplo simples do
princípio segundo o qual a organização tem como função permitir; à
pessoa, dirigir a Atenção para maior quantidade de material.
Podemos ver a mesma coisa, de maneira mais
significativa, no desenvolvimento de habilidades específicas ou do
treinamento. Não é necessário prestar Atenção a uma atividade bem
treinada, pela simples razão de que o todo integrado está tão
reunido que pode ser realizado sem Atenção as suas partes isoladas.
A inspeção de qualidade numa fábrica, por exemplo, é uma atividade
tão treinada que o funcionário é capaz de ater-se rapidamente à
qualquer coisa que estiver estranha àquilo considerado desejável.
Este funcionário desenvolve seu trabalho muito mais rapidamente que
outra pessoa não treinada. Assim, é possível perceber, com um
simples olhar, situações complexas.
A organização dos objetos facilita para que os
estímulos se encaixem na expectativa a ser percebida, sem
necessidade de Atenção cuidadosa a cada uma das partes isoladamente.
Isso, naturalmente, permite maior eficiência, embora também possa
provocar erros que passam desapercebidos, quando estes eventualmente
se encaixem bem na organização.
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