Professor-estresse: análise
de produção científica
Teacher-stress: analysis of scientific production
Geraldina Porto Witter1
Universidade de Mogi das Cruzes
PUC-Campinas
RESUMO
A
associação professor-estresse é examinada no contexto educacional. O
estresse do professor está relacionado a variáveis do meio acadêmico,
de fora da escola e do professor. O impacto desta associação influi
na saúde do professor, no seu desempenho e na qualidade do processo
ensino-aprendizagem. Com o objetivo de apresentar uma perspectiva de
como a matéria está sendo considerada na literatura internacional,
foi analisada a produção arrolada na base bibliográfica PsycArticle,
de 1987 a 2002. Somente 28 artigos consideraram a relação professor-estresse.
Eles foram analisados quanto aos indicadores de progresso
científico: autoria, tipo de trabalho e área específica de conteúdo.
Há poucas pesquisas na área, elas são descritivas e produzidas por
grupos de pesquisadores.
Palavras-chave: Qualidade de vida, Educação, Grupo de pesquisa.
ABSTRACT
In the
educational context it is examined the teacher-stress association.
The teacher’s stress is related with variables of academic
environment, of out of the school and of the teacher. The impact of
that association can be see in the teacher’s health, in his
achievement and in the quality of the teaching-learning process.
With the objective to present one view of how issue is being
considered in international literature it is focused the production
presented in the bibliographic base PsycArticle, from 1987 until
2002. Only 28 papers considered the relation teacher-stress. They
were analyzed in relation to the progress indicators: authorship,
kind of work and specific content area. There are few research in
the area, they are descriptives and produced by scientists’ groups.
Keywords: Life quality, Education, Group of research.
INTRODUÇÃO
Enfoca-se
neste trabalho a questão do estresse no que concerne ao professor,
com destaque para a produção científica. Não se pretendeu fazer uma
revisão exaustiva em várias bases de dados, nem sequer verificar
esta produção em um país específico (Brasil, por exemplo). Análises
essas que poderiam ser objeto de dissertações e teses. Considerando
a relevância do tema para a educação e para os que nela atuam,
especialmente o professor, o objetivo foi explorar uma base de dados
e ver como a produção arrolada se situava em termos de volume,
temática específica e de indicadores científicos.
Como é
freqüente no Brasil o uso de stress, aqui se fará uma breve
explicação da razão pela qual se optou pelo uso do vocábulo estresse.
Stress é vocábulo inglês, surgido para nomear aspecto específico da
Resistência de Materiais, que corresponde em português à pressão ou
tensão. Por razões ainda pouco claras, referindo-se a Portugal, como
diz Pereira (1999), mas que não está alheio ao “novo pretencionismo
nacional de usar vocábulos ingleses, que sucedeu ao de usar
vocábulos franceses – são épocas, são modos! O termo nunca foi
traduzido, nem por médicos, nem mais tarde por psicólogos” (p. 245).
As
condições sociolingüísticas no Brasil são similares às de Portugal
quanto à inclusão de termos estrangeiros na língua sem o cuidado de
exame etimológico e sem verificar se já não existe o vocábulo com o
conteúdo semântico pretendido. Possivelmente é até maior pela
evolução da história nacional incluir um longo período colonial.
Todavia, o fenômeno de inclusão do inglês e do espanhol no Brasil,
até mesmo descaracterizando a língua e com ela a nacionalidade é,
possivelmente, mais intenso aqui. Entretanto, há um esforço imenso
de estudiosos de lexicografia, da lingüística geral, da
sociolingüística e dos dicionaristas para corrigir esta submissão e
distorção lingüístico-cultural.
Pressão
e tensão foram muito usadas, estando dicionarizadas há muito tempo.
Com o crescimento do uso de stress, os estudiosos do léxico e os
dicionaristas brasileiros acabaram por incluir estresse entre os
vocábulos que constituem a língua portuguesa falada no Brasil. Isto
já ocorre há algumas décadas e pode-se verificar esta aceitação nos
manuais de redação até mesmo de grandes jornais como O Estado de
São Paulo e a Folha de São Paulo. Todavia, é superior em
questão de vocábulos e respeito à língua, especialmente como um dos
símbolos nacionais, a inclusão do vocábulo nos grandes dicionários e
sua aprovação pela Academia Brasileira de Letras como pré-requisito
para seu uso.
Por
exemplo, em Houaiss, Villar e Franco (2001) o leitor é informado
que, desde 1975 o termo estresse já estava oficialmente incluso no
léxico, que sua origem é médica, indicando um estado de “percepção
de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a
homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação
da secreção de adrenalina, com várias conseqüências sistêmicas” (p.
1264).
A ênfase
é na descrição biológica dada à área de origem do termo. Lembra que
o termo inglês é bem mais antigo aos atuais estudos. Surgiu depois
do século XIV, visto como tensão e passa a ser considerado como
distúrbio tanto fisiológico como psicológico causado por
circunstâncias adversas, por volta de 1942. Na medicina foi
incorporado pelos trabalhos do fisiologista norteamericano Walter
Cannon (1871-1945) e do fisiologista canadense Hans Selye
(1907-1982), o qual despontou nos anos 30, sendo mais divulgado no
Brasil. Como variação ou sinônimo pode ser usado o termo estricção e
o verbo vinculado é estressar.
Dentre
as conseqüências negativas do estresse aparecem: fadiga, adinamia,
agitação, inadaptação. Quando o estresse é mantido dentro de um bom
nível de controle as conseqüências podem ser positivas. Desde que
haja possibilidade de correção, as pessoas manifestam prazer e
produtividade. Em qualquer organização, inclusive nas escolas, é
necessário gerenciar o estresse quando se pretende ter produtividade
e satisfação. O clima organizacional deve ser favorável para que o
nível de tensão, as exigências contínuas e outros estressores não
ultrapassem o ponto ideal.
Estresse e docência
No
cenário educacional muitos são os que assumem papéis e funções em
níveis diversos. Todavia, mesmo não ocupando altos cargos e não
participando do processo principal de decisões, certamente é o
professor uma das duas figuras mais importantes. A outra, sem dúvida,
é o aluno. Embora se possa dizer que no processo interativo entre
professor e aluno, um exerce influência sobre o outro, cabe ao
professor influir mais no processo de formação e desenvolvimento dos
alunos que lhe são confiados, sejam eles crianças do maternal ou
mesmo universitários.
Nessas
circunstâncias, não é de estranhar a constante preocupação de
administradores e de pesquisadores de diversas áreas em conhecer o
professor. Entre os pesquisadores está o psicólogo que tem se
ocupado em conhecer diretamente o professor, trabalhar com seus
problemas, suas relações interpessoais, sua eficácia e eficiência
enquanto profissional do ensino. Também não é de se surpreender que
universalmente seja constatada a preocupação em aprimorar cada vez
mais a formação do professor, quer gerando legislação específica,
quer pesquisando intensamente a formação do referido profissional.
Entre a
problemática vivenciada e pesquisada no que concerne ao docente está
a questão do estresse. Estresse (Witter, 2002b) é um problema
mundial de saúde biopsicossocial que tem sido objeto de pesquisas
descritivas e funcionais, que buscam as causas e as soluções, que se
refletem nas programações de prevenção e de intervenção. Embora o
estresse apareça como um dos problemas de saúde do trabalhador, este
não tem sido objeto suficiente de pesquisas específicas. Há muito
que pesquisar já que o estresse tem sido indicado como presente no
quadro de problemas de saúde das várias profissões. Um destes
profissionais é o professor.
O
contexto educacional pode gerar estresse em todos os que o partilham,
resultante do próprio ambiente, das relações interpessoais, das
tarefas etc. (Witter, 1997). Como isso ocorre em relação ao
professor é o cerne do tema aqui enfocado, mas não se pode esquecer
que se trata, na maioria das vezes, de pacotes de variáveis
interligadas, podendo ocorrer de uma potencializar a outra.
Certamente não é um quadro fácil de pesquisar ou mesmo de intervir.
Programas (tanto de prevenção como de intervenção) para redução dos
níveis de estresse procuram manipular as variáveis geradoras do
problema para controlar o efeito das mesmas. Daí a relevância da
pesquisa para detectá-las e, posteriormente, das pesquisas de
avaliação dos referidos programas. No caso do professor, atue ele
nos primeiros níveis de ensino ou mesmo no ensino superior, há
variáveis similares que podem ter formas e intensidades diferentes,
mas que estão presentes em todos os níveis. Algumas estão presentes
em qualquer profissão, como é o caso do sistema administrativo ou
organizacional.
O modelo
de administração adotado na escola propicia a ocorrência de estresse
na mesma, principalmente no caso do professor. Considere-se, por
exemplo, uma organização de sistema aberto. Na entrada desse sistema
estão as pessoas (inclusive o professor), a informação, os materiais
e a energia. As pessoas precisam estar formadas e terem treino
freqüente para atualização de modo a convergirem suas ações para os
objetivos da instituição escolar. A informação fornece uma rede de
apoio social para a liderança e para a atualização profissional. Os
materiais são elementos de base para a atuação. A energia é
despendida pela equipe profissional para que metas e objetivos
específicos sejam alcançados. No centro da organização é preciso
considerar variáveis que levam ao envolvimento das pessoas (variáveis
físicas, biológicas, psicológicas, laboriais, culturais) e o que
ocorre em outras organizações similares. Na saída do sistema tem-se:
trabalho e produção, estresse e satisfação/insatisfação. Na escola,
o trabalho mais diretamente vinculado à produção é o realizado pelo
professor, daí a maior pressão do sistema incidir sobre ele. O
resultado da produção é constituído pelo que se constata no aluno em
termos do desenvolvimento de competências e de habilidades
estabelecidas e interligadas nos objetivos da escola. Esta situação
pode gerar muito estresse no professor.
O
sistema produz satisfação e insatisfação nas pessoas, se a
insatisfação for preponderante os níveis de estresse tenderão a
subir e as conseqüências terão reflexo em todo o sistema (Pereira,
1999). Cabe ao administrador escolar criar parte das condições que
garantam a cultura organizacional. É importante que as variáveis
organizacionais sejam controladas para reduzir o estresse. Outras
variáveis escapam ao controle do administrador direto (diretor,
coordenador). Estão na esfera do governo ou decorrem de variáveis
pessoais do professor (sua formação, sua personalidade, seu controle
de estresse, fase de desenvolvimento pessoal em que está, seus
objetivos pessoais, sua vida familiar etc.).
Como
lembra Pereira (1999) é indispensável que as organizações entendam o
ajustamento das pessoas na organização, a sua interdependência, a
produção, a satisfação, as tensões. A ideologia da gestão deve
cuidar de um “contrato psicológico” pelo qual se ajustam as
expectativas das pessoas envolvidas, se estabelece a motivação das
mesmas e são criados esquemas reforçadores.
Hoje, é
ilusório manter o velho adágio de que “o cliente tem sempre razão”.
Há muito mais a se considerar e o trabalhador é fundamental no
confronto das relações organização-clientela. Na escola também é
preciso ter este cuidado, mesmo quando se trata de escola pública,
talvez até mais aí, no caso brasileiro, dadas as condições atuais da
escola pública nacional.
Garantir
condições motivadoras assegura a manutenção do estresse em nível
adequado ao bom desempenho do docente. É necessário assegurar, por
exemplo, condições para auto-atualização (implica, pela ordem, em
garantir o atendimento de necessidades universais: fisiológicas, de
segurança, social e pessoal, de amor/paternal – estar com os outros,
de estima, de saber e conhecer) (Maslow, 1954, 1962).
A
organização que viabiliza a auto-realização de seus docentes contará
com professores com melhor percepção da realidade envolvente,
melhores relações com esta realidade, mais independentes, mais
criativos, mais envolvidos com a solução dos problemas da
organização e do ensinoaprendizagem do que voltados para seus
interesses pessoais. Dessa forma, tendem a não apresentar estresse
acadêmico- institucional elevado e terão melhor desempenho.
Quando a
escola é motivo de constante frustração para o docente as
conseqüências tendem a ser negativas. Ocorrendo a frustração, a
impossibilidade de atingir metas ou objetivos pessoais, gera-se o
estresse e outros comportamentos negativos como a agressão, a fuga,
a esquiva (faltas, absenteísmo, doença), persistência em respostas
inoperantes, desvio de atenção e de compromisso, negação do fato,
mudanças constantes de plano de ação e de estratégia, falta de
adesão ao projeto pedagógico, crítica pela crítica, oposição
descabida etc.
O gestor
acadêmico pode contribuir para melhoria do desempenho dos docentes
reduzindo o impacto de variáveis que geram estresse ou cuidando de
potencializar as que garantem um nível adequado do mesmo.
Como
lembra Pereira (1999), há condições para recorrer a aspectos
característicos pré-existentes na cultura nacional, na comunidade ou
mesmo na classe ou grupo a que a empresa está vinculada. Segundo o
referido autor, podem ser considerados aspectos como os a seguir
enfocados, feita a adaptação para o meio escolar pela autora do
presente artigo.
Identidade Pessoal e Profissional dos docentes e como elas se
relacionam em geral com a organização escolar e, em particular, com
a escola em que atua. Isso pede que o diretor conheça o docente com
que trabalha de forma técnica-científica. Para tanto, precisa contar
com o apoio de um Psicólogo Escolar competente que também o
assessore no planejamento do clima organizacional otimizando o uso
das características pessoais.
Autonomia Pessoal é necessária, deve ser estimulada e oferecidas
oportunidades para que os docentes atuem com autonomia,
responsabilidade, criatividade e criticidade, porém, de acordo com o
projeto pedagógico da escola em cuja elaboração devem ter
participado. No sistema educacional brasileiro muitas são as
barreiras formais e informais encontradas neste aspecto. Até mesmo
os gestores usufruem de poucas oportunidades reais neste sentido,
sendo sufocados pelos procedimentos burocráticos e geradores de
índices elevados de estresse tanto para os diretores como para os
docentes. A centralização, a determinação de usos de modelos
teóricos e procedimentos específicos reduzem a autonomia em
detrimento da qualidade.
Estrutura organizacional é um aspecto que deve ser flexível,
aberta, dispor de práticas diversificadas e rede de comunicação
eficiente. Em escolas particulares, em tese, é mais fácil dispor de
modelos administrativos menos burocráticos, modernos e mais
facilmente renováveis do que ocorre na escola estatal. No Brasil a
estrutura organizacional, com a municipalização do ensino
fundamental, poderia alcançar esta condição mais facilmente se
tivesse ela própria mais autonomia da estadual.
Rede
de Apoio Social é uma característica que se espera existir no
âmbito escolar propiciando ao docente a expectativa de ser apoiado
nas circunstâncias em que vivencie dificuldades pessoais ou
profissionais. Esta rede deve ser estimulada pela equipe técnica,
especialmente no que concerne às habilidades e competências
relevantes para o êxito do processo ensino-aprendizagem. Face ao
rápido e mutável avanço nas tecnologias educacionais, as condições
de formação e de atualização dos docentes precisam ser cuidadas para
não gerar estresse negativo alto que vai se evidenciar no contexto
da sala de aula. Mas os problemas pessoais, inclusive os de vida
privada, precisam também do apoio aqui referido. Psicólogos
escolares, grupos de trabalho e outras possibilidades podem servir
neste contexto.
Estilo de liderança é entendido como forma pela qual a chefia
direciona ou comanda a escola, inclusa está a liderança natural. O
estilo de liderança espera-se que não gere uma cultura de pressão,
punitiva, com exagero de demanda, de regras e de normas. Novamente,
o psicólogo escolar com base na psicologia organizacional ou o
psicólogo organizacional atuando em projeto escolar específico podem
ser de grande valia para os diretores.
Sistema de recompensa é um aspecto que deve existir em toda
organização para garantir o desenvolvimento pessoal e profissional,
a adesão, a organização e o clima adequado. Usualmente, em especial
no que concerne ao professor, em todos os níveis, não há realmente,
no Brasil, um sistema de recompensas ou reforços. Só o salário é
ineficiente para se falar em sistema. No Estado e nas instituições
particulares, encontram-se alguns incentivos, mas como tendem a não
ocorrer concomitantemente ao desempenho perdem poder como
reforçadores potenciais; além disso, tendem a estar associados
apenas ao lado financeiro. Como exemplo podem ser lembradas as
vantagens de qüinqüênios, as mudanças salariais decorrentes de
obtenção de título (mestre, doutor etc), raramente contingentes.
Escapam ao gestor as possibilidades de melhorar estes aspectos e
usualmente fazer que sejam reforçados em contiguidade com a resposta.
Implanta-se a ineficiência. Todavia, o gestor pode cuidar para que
outros reforçadores formem um sistema provendo reconhecimento e
outros reforços positivos para os docentes, para o que precisa
conhecer o que é realmente reforçador para os professores. O
Psicólogo Escolar pode ajudar aplicando instrumentos específicos
para detectar os reforçadores potenciais aplicáveis com êxito
provável em cada caso. Isto pode ser de grande valia no planejamento
das contingências administrativas e do estabelecimento do sistema de
recompensas.
Sistema de Gestão de Conflito é outro aspecto que também deve
ser preocupação dos gestores acadêmicos já que, em situação de
conflito, sempre se tem altos níveis de estresse com sérios efeitos
no clima da escola, no trabalho com e dos alunos (quanto mais alta a
escolaridade, pior o resultado), na liderança etc. É preciso que os
conflitos sejam resolvidos com prontidão, justiça (transparente e
com regras explícitas) e eficiência.
Valorização do Risco é um cuidado que se precisa ter para
assegurar a renovação metodológica, tecnológica, conceitual e outras.
Professores que se envolvem em novas propostas, que se renovam,
precisam de apoio, de reforço para se manterem inovadores, por terem
assumido o risco do progresso. Ao mesmo tempo é preciso cuidar de
reforçar sua responsabilidade, criatividade e cuidado ao assumir
risco, tendo por lastro o conhecimento científico, e experimentar as
inovações dentro dos parâmetros da metodologia científica. Nem
sempre estes cuidados são tomados e valorizados. Surgem resultados
negativos cuja origem é desconhecida, emerge o estresse e o quadro
se complica.
Símbolos são itens a serem valorizados como forma de dar maior
coesão ao grupo. Isto implica em desenvolver e manter ritos,
cerimônias, metáforas, festas informais e a própria história da
instituição, de cada escola em particular.
Valores da sociedade, da comunidade e da própria escola precisam
ser cuidados de modo a não se constituirem em controles repressivos.
É importante que os valores contribuam para integrar as pessoas e
para aumentar a eficiência do grupo. Estratégias de comportamento
devem ser usadas para que ocorram afirmação pessoal e ativismo em
favor dos objetivos da escola.
Diversidade Cultural - não se pode ignorar que muitas escolas
convivem hoje com grande diversidade cultural, o que pode gerar
conflitos, inadequações metodológicas, valores divergentes. Isto
pede a gestão da diversidade cultural e a formação do docente para
lidar com ela, conhecendo tecnologias de ensino compatíveis. Caso
contrário, poderá ficar alienado e prejudicar sensivelmente o aluno
diferente, ou ficar muito estressado face a sua incompetência para
responder adequadamente à situação. Isto conduz a outra base
importante do estresse do docente - o contexto da sala de aula.
Na sala
de aula o professor se depara com alunos com várias características
pessoais distintivas e oriundos de famílias cujo ambiente é muito
variado em leiturabilidade, valores, clima, estrutura, relações
interpessoais etc. Não estando adequadamente preparado para tanto
acaba enfrentando uma situação de alta pressão. O estresse atinge
níveis que tornam seu comportamento ainda mais inadequado à situação.
Não tendo aprendido a controlar o estresse, o problema evolui para
um quadro ainda mais negativo. Forma-se um círculo vicioso e se
impõe a necessidade de apoio ao docente. Um Psicólogo Escolar
competente torna-se de grande valia, por um lado, ensinando o
professor a lidar com situações estressantes e ajudando-o a
controlar os efeitos negativos do estresse. Por outro lado,
informando-o e capacitando- o no uso de procedimentos e tecnologias
de ensino mais compatíveis com a diversidade cultural que encontra
na sala de aula (Elliot & Dupuis, 2002).
Assim, o
estresse do professor tem muita relação com a sua formação acadêmica,
que deve capacitá-lo muito bem em Psicologia em tópicos diversos
como: tecnologia do ensino, capacidade de planejar e garantir sua
educação continuada, conhecimento científico das variáveis que
influem em docentes e alunos, e mesmo em conhecimento de metodologia
científica para que possa trabalhar com mais segurança, assumir os
riscos nas inovações, testando-as adequadamente etc. A sala de aula
é um laboratório e o docente deve ser um pesquisador capaz de
contribuir para que se conheça cada vez mais sobre o que nela ocorre,
seus personagens, o ensino-aprendizagem, as relações interpessoais,
os materiais, a organização, a ergonomia etc. O professor deve estar
preparado para trabalhar com todos estes aspectos, estes pacotes de
variáveis, usando estratégias comportamentais que evitem os efeitos
negativos dos estressores que estão associados a esta variedade de
situações. Precisa ter competência para pesquisar a realidade em que
atua e avaliar cientificamente o impacto de sua ação.
No
Brasil, a preocupação com a pesquisa sobre estresse vem crescendo e
apresentando resultados muito úteis e interessantes (Lipp, 1996) e a
preocupação em levar conhecimentos específicos aos professores gerou
O stress do professor (Lipp, 2002) em que aspectos gerais e
específicos do estresse são tratados, tendo por foco desde o docente
alfabetizador ao professor da pósgraduação.
Sendo
tão complexa a relação estresse-professor e tão importante a
resolução dos problemas decorrentes, é natural que se espere uma
produção científica que ofereça base para a atuação. Alguns aspectos
desta produção são enfocados a seguir.
Professor-estresse: análise
de produção científica II
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