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ARTIGOS EM PORTUGUÉS

OS PRINCÍPIOS DA DIALÉTICA
APLICADOS À PRÁTICA EDUCATIVA
Professor Elias Celso
Galvêas
“Sente-se que a dialética é coisa muito árdua e
difícil, na medida em que o pensar dialeticamente vai contra o
vulgar senso comum, que é dogmático, ávido de certezas peremptórias”.
A. Gramsci.
Em linhas gerais, as categorias encontradas no livro de Carlos R.
Jamil Cury objetivam direcionar e fundamentar o pensamento, no
sentido de conferir instrumentos apropriados para a elaboração de
uma filosofia (dialética) da Práxis que, de fato, costuma entrar em
choque com a habitual maneira linear e dogmática de se interpretar a
realidade (ainda peculiar à maioria das pessoas), forma esta de
análise que ignora um dos aspectos mais essenciais do fenômeno: a
contradição.
Dessa forma, a contradição não pode ser entendida como uma categoria
interpretativa desvinculada do real, pois ela é inerente ao próprio
movimento do real, funcionando como um estopim gerador dos conflitos
e das disputas onde existe o debate ou a argumentação dialética. A
realidade na sua totalidade subjetiva-objetiva é contraditória,
portanto, ela é essencialmente dialética, mesmo que uma ideologia
hegemônica (de cunho conservador) tente ocultar as contradições do
fenômeno.
A maneira, muitas vezes excessiva, de se analisar a realidade
através de um prisma idealista, bem como a forma dogmática ou
doutrinadora de pensar, não partem da realidade concreta na
elucubração de suas análises. Filosofias como o Positivismo e o
Estruturalismo, ao negar o elemento contraditório como parte
naturalmente integrante da realidade, impede a visão dialética de
realizar sua primordial função, que consiste na análise (ou
investigação) do fenômeno com base nas suas contradições, ou seja, a
aceitação da contradição como algo inerente e natural no processo de
gestão e aquisição do conhecimento humano. Numa linguagem mais
filosófica, este fato representa a permanente negação do devir, ou
seja, a incapacidade de perceber que cada fenômeno encerra em si uma
potencialidade que permite, em suma, sua transformação, em
detrimento à estagnação conservadora peculiar às formas lineares de
pensamento.
Segundo Carlos R. Jamil Cury, em seu livro “Educação e Contradição”,
página 30, parágrafo II: “Assim, a realidade no seu todo
subjetivo-objetivo é dialética e contraditória, o que implica a
centralidade desse conceito na metodologia proposta. A contradição
sempre expressa uma relação de conflito no devir do real. Essa
relação se dá na definição de um elemento pelo que ele não é. Assim,
cada coisa exige a existência do seu contrário, como determinação e
negação do outro. As propriedades das coisas decorrem dessa
determinação recíproca e não das relações de exterioridade”.
O movimento dialético consiste em três etapas distintas e
complementares, que podem ser resumidas da seguinte maneira: a
formulação de uma tese (como ponto de partida); o inevitável
encontro dessa tese com elementos contraditórios à mesma, formando,
assim, a anti-tese; e, enfim, a convergência de idéias que funciona,
temporariamente, como um denominador comum (entre ambas). Tal
aparente consenso e acomodação de idéias é o momento da síntese -
entre a tese e a anti-tese, que, por sua vez, gerará uma nova tese
que repetirá “ad infinitum” o movimento acima descrito.
Resumidamente, esta é a dinâmica da contradição, contradição esta
que, genericamente, pode ser considerada como o motor interno do
movimento dialético.
Segundo Vieira Pinto: “(...) a dialética interpreta o processo da
realidade vendo nele uma sucessão de fenômenos, cada um dos quais só
existe enquanto contradição com as condições anteriores, só surge
por negação da realidade que os engendra, e se revelará produtivo de
novos efeitos objetivos unicamente na medida em que estes, sendo o
‘novo’ recém surgido, negam aquilo que os produziu. (...)”.
Na perspectiva da dialética heraclitiana, todo fenômeno, na sua
essência, possui características intrinsecamente dicotômica,
revelando um pólo positivo e outro negativo. Tais pólos antagônicos
possuem, por sua vez, características diametralmente opostas, não
sendo necessariamente contraditórias, porém complementares. A
sabedoria consiste, portanto, em buscar equilíbrio na unidade,
conciliando permanentemente as naturezas aparentemente antagônicas
de ambos os pólos. Um bom exemplo do que aqui se aborda está em se
refletir na observância da distinção entre a natureza manifesta -
visível, extrínseca e imediata – daquilo que se observa, em
contraste com sua natureza essencial e intrínseca e oculta do mesmo
objeto em questão. E tal maneira de se encarar um fenômeno ou objeto
de estudo é pertinente à tudo o que se escolhe para observar.
Seguindo esta linha de pensamento, a contradição expressa
constantemente uma relação de conflito no devir do real, pois cada
elemento que compõem a realidade (como um todo) pressupõe a
existência de seu contrário, como determinação recíproca e negação
do outro. Assim temos como pares opostos que compõem a realidade:
dia e noite; frio e quente; bem e mal; seco e molhado; duro e mole;
etc. Como seria compreender a noite sem que se tivesse tido
conhecimento do dia? Isto significa que, independente da conotação
semântica dentro da qual o vocábulo está sendo utilizado, a
contradição serve para complementar e enriquecer o significado da
mesma palavra caso ela esteja sendo analisada isoladamente: fica
mais fácil compreender o que é a noite, tendo internalizado o
significado do dia - vice-versa, assim por diante.
O segredo do pensamento dialético bem sucedido é, portanto, saber
conciliar os pólos opostos e complementares, a fim de que se obtenha
sempre uma visão equilibrada daquilo que se escolhe como objeto de
estudo. O estudo que visa a permanente fusão e superação de idéias,
jamais se apega às idéias em si, mas ao ideal suprema de beleza e
verdade que deveria caracterizar e nortear toda busca de
conhecimento desprovida de ganância e vaidade.
Em linhas gerais, o fenômeno é exteriormente analisado (considerado)
apenas no instante em que o conteúdo manifesto é observável. Com
isto, a tendência natural é que se confira ênfase somente à
aparência (conteúdo manifesto), em detrimento à essência, que pode
vir a ser a verdadeira causa daquilo que aparentemente está sendo
manifesto. Portanto, a tendência é que se ocultem as características
essenciais do fenômeno que, por sua vez, se resume - em suma - no
seu próprio processo de produção - desde as causas até as
conseqüências em sua totalidade -, passando por diversos níveis de
profundidade, no tocante à compreensão do fenômeno como um todo.
Faz-se, portanto, averiguações profundas, mas ainda se permanece na
superfície, na “doxa”. Insiste-se na utilização apenas dos 5
sentidos, esquecendo-se de que a intuição aliada à razão é capaz de
gerar uma consciência regida pelo suprasentido, ou seja, além dos
sentidos - e, diferentemente da antiguidade, isto é muito mal
compreendido pelo homem contemporâneo, e, portanto, igualmente mal
trabalho pela "sua" escola.
Já dizia um grade sábio e mestre da antigüidade: "não se pode
guardar vinho novo em odres velhos", e, por isto, a superação de
idéias dentro do movimento dialético - no sentido de renovação de
idéias pela reformulação das mesmas - tende a ser um processo
inevitável. Desta forma, fica evidente o caráter simultâneo (muitas
vezes ambíguo) de destruição e construção renovadora de conceitos ou
idéias geradas por uma forma dialética de pensar: o “velho” cede
lugar ao “novo”, constantemente, sendo que nada se destrói
completamente: mas se transforma – o “novo” aproveitando elementos
do “velho”, e o “velho” servindo de base para o que é “novo”.
“(...) Os contrários em luta e movimento buscam a superação da
contradição, superando-se a si próprios (...)” – Livro “Educação e
Contradição”, Carlos R. Jamil Cury, página 30.
Segundo Carlos R. Jamil Cury, em seu livro “Educação e Contradição”,
página 34 (Totalidade – parágrafo II): “Assim, essa análise, apoiada
na exterioridade, vê as partes como universos separados uns dos
outros. Esses todos, tomados como instâncias e níveis autônomos, sem
que estabeleçam entre eles relações internas em uma totalidade
contraditória, acabam sendo, na análise, privilegiados
arbitrariamente, isto é, o todo julgado mais importante torna-se o
determinante”.
Dessa forma, as partes integrantes da totalidade costumam ser
analisadas, na sua exterioridade, como universos isolados e
independentes uns dos outros, encarados assim como “instâncias e
níveis autônomos”, o que pode dificultar no estabelecimento (ou a
detecção) de relações de interdependência entre fatos, dentro do
contexto de uma realidade contraditória, porém essencialmente
dinâmica e mutável. A falta de conexão interdisciplinar entre fatos
que compõem uma teoria constitui, portanto, um verdadeiro entrave ao
modo dialético de se pensar e analisar a realidade, posto que o
dinamismo implica na permanente possibilidade do devir (do vir a
ser).
Em outras palavras, tudo o que é dinâmico torna-se necessariamente
passível de mudança ou transformação, o que a forma linear
(positivista) de pensar, preocupada em conferir uma pretensa “ordem
inexistente” a tudo o que existe, tenta sempre negar ou ocultar. E,
pelo que parece, na análise da maioria das pessoas, o dinamismo
implícito na realidade - nem sempre tão evidente - não é
imediatamente percebido, quando levamos em consideração a análise de
um fenômeno em sua totalidade.
É preciso que exista, em algum nível de profundidade, a compreensão
adequada da funcionalidade das partes; suas origens e conseqüências;
associada ao entendimento, também, em algum nível, de como as partes
estão integradas, interligadas, relacionando-se entre si. O objetivo
intrínseco da busca do conhecimento deve ser a superação de idéias –
o que não significa aniquilação de idéias antigas, tampouco a
“crucificação” de seu desvabradores.
Dessa forma, os elementos da realidade fundem-se - de maneira
antagônica e complementar - aos seus contrários, gerando conflitos e
choques entre as idéias que, por sua vez, será o “combustível” (ou o
estopim) das argumentações e da forma dialética de pensar a
realidade na sua totalidade. Se nos despíssemos de nossa vaidade e
de nossa doentia pretensão de estarmos sempre certos e com a razão,
compreenderíamos os diálogos de nossos ancestrais gregos, bem como a
verdadeira função das ágoras: antigamente conseguíamos produzir
conhecimento; atualmente, não obstante toda revolução tecnológica
característica dos tempos modernos, produz-se muita vaidade e
indignação. Não é a toa que existe um enorme e profundo vácuo
ideológico a ser preenchido nos tempos atuais.
Sem a noção de que as "partes" (que permeiam o "todo") são formadas
pela integração (ou fusão) das mesmas com seus elementos
contraditórios, seria impossível a elaboração, em termos de
pensamento, de qualquer movimento rumo à forma dialética de análise
dos fatos. Portanto, é importante concluir que a realidade, como um
todo, é formada por partes que se fundem, em completude, com seus
respectivos contrários.
No sentido extensivo e formal, chega-se a uma situação limite em que
a totalidade implica em estagnação, ou seja, quando sua
“abrangência” é totalmente esgotada e sua amplitude conceitual
torna-se máxima, não se tem mais a possibilidade de continuar a
ampliação de determinado conceito. Em termos vulgar: chega-se a um
ponto onde é impossível ir além da fundamentação, ou do que já foi
postulado. Resta-nos superar esta fase e realizar a combinatória
inter disciplinar de outros conhecimentos afins em relação ao que
estamos abordando.
Seguindo esta linha de raciocínio, na prática, é interessante
observar a influência que o "todo" exerce sobre as "partes", como é
o exemplo da escola, vista como uma instituição, dentro de algo
maior (mais abrangente), denominado “super-estrutura”. Assim, a
escola – e a educação num sentido mais amplo - funciona como uma
infra-estrutura reprodutora dos valores e das relações sociais de
dominação (que são mais abrangentes), tão característica de nosso
sistema.
No sentido prático e aplicável da categoria da totalidade,
analisemos o que Carlos R.
Jamil Cury tem a nos dizer, em seu livro “Educação e Contradição”,
na página 37:
“O homem é o sujeito histórico-social que, pela sua práxis objetiva,
produz a realidade (e também por ela é produzido), o que possibilita
o conhecimento da mesma. Quer dizer, pôr a questão o que é a
realidade ? dentro da totalidade é basicamente pressupor a subsunção
desta por outra: como se faz o real ?, o que subentende a produção
humana na sua dimensão histórico-social.
A realidade, então, só pode ser conhecida na sua totalidade concreta
quando se conhece a mesma na dimensão social e histórica,
compreendendo a unidade dialética da estrutura e su-perestrutura,
onde o homem é reconhecido como sujeito da práxis. Ignorar, na
dialetização base-superestrutura, no movimento de suas relações
recíprocas, a atuação do homem como sujeito histórico real no
conjunto das relações sociais é tornar a totalidade uma abstração”.
Complementando: uma verdadeira abstração idealista, ignorante da
realidade, uma fuga que tenderia a tangir o cerne de qualquer
questão cabível.
Na análise da realidade em sua totalidade, as instituições podem ser
consideradas partes integrantes de algo mais abrangente, que se
convencionou chamar de Superestrutura. Por sua vez, a Superestrutura
pode ser entendida como uma das instâncias da totalidade, ou melhor,
ela pode ser considerada uma “sub-totalidade”, não podendo ser
considerada simples parte, devido à sua significativa complexidade
em termos de amplitude.
Para complementar o conceito de Superestrutura, apresentamos o
“outro lado da moeda”: a Infraestrutura, segundo Marx, determina a
Superestrutura que, por sua vez, é representada pelos fatores
econômicos determinantes das relações de produção. Tais fatores
econômicos acabam por gerar as relações sociais existentes entre os
homens. A Infraestrutura pode ser entendida como “uma das sub-totalidades”,
também formada por partes distintas, porém, diretamente relacionadas
- por serem complementares.
Porém, é importante salientar que a totalidade não é necessariamente
a soma de todas as partes, ou a reunião de todos os fatos possíveis.
O esgotamento de todos os aspectos, bem como o conhecimento de todos
os fatos é algo intangível à capacidade humana de conhecer a
realidade, isto é, o significado da totalidade no seu sentido de
amplitude máxima é, na prática, inatingível ao conhecimento do homem.
O que nos resta é a combinatória dos fatores que nos é possível
captar, nos seus mais variáveis níveis de gradação, profundidade e
organização.
A aplicabilidade dos conceitos até aqui explicitados reside no fato
de se observar que a educação, vista como um fenômeno mais amplo, é,
em seus mais variados elementos, repleta de contradições. O saber
sintetizado em conhecimento, produto final (finalidade) de todo
processo educativo, transforma-se em força produtiva inserida no
seio das relações sociais, tornando-se funcional na medida em que é
utilizada para servir o capital.
No modo de produção capitalista o saber não democratizado passa a
ser um estatuto legitimadamente privado, tendendo, desta forma, a
reproduzir indefinidamente as relações sociais básicas, justas ou
injusta, inerentes ao sistema.
Gramsci considera um erro metodológico o critério de se distinguir o
trabalho nas modalidades manuais e intelectuais. Não obstante, é
interessante observar que dentro dessa concepção o trabalho manual
é, desde a Antigüidade, bastante discriminado, e, por isto,
extremamente desvalorizado dentro da nossa sociedade capitalista.
Nós herdamos esta mentalidade através de duas vertentes: da cultura
judaico-cristã aliada ao nosso triste passado colonialista, onde,
por sua vez, retrocedemos aos antigos para justificar as atrocidades
como a escravidão. Realmente, acabamos por escolher os piores
aspectos de brilhantes culturas para herdar. E o pior é que isto
perdura até os dias de hoje.
Em um sentido mais específico, essa divisão metodológica criticada
por Gramsci irá gerar no caso brasileiro, num primeiro momento, duas
tendências de ensino bastante conhecidas: o ensino técnico – que
visa preparar para o “fazer”; em contraste com o ensino acadêmico –
que, por sua vez, preocupa-se, predominantemente, com a formação
intelectual. Apesar desta ser uma visão ultrapassada que atualmente
tentamos com toda força reverter, este ainda é um aspecto forte que
compõem nossa realidade e mentalidade.
Segundo Carlos R. Jamil Cury, em seu livro “Educação e Contradição,
página 71: “(...) A educação, enquanto instrumento de disseminação
de um saber mais abrangente, entra em contradição com a sociedade
capitalista. O saber enquanto intenção pode vir a ser apropriado
(tornar-se próprio) pelas classes subalternas. (...) pois na sua
prática (no conjunto das relações sociais) reside a contradição da
intencionalidade dominante: a oposição entre o saber do dominante e
o saber do dominado. (...)”.
A educação é utilizada como meio de encobrir contradições, ou seja,
é utilizada como um instrumento de persuasão dissimulador e
alienante da realidade, produzindo uma idéia ilusória de normalidade.
Enquanto isto se discute “como” e “até onde” se deve “educar” o
trabalhador; “para quem” e “para que” se deve educá-lo. A educação
passa então a ser um instrumento manipulador a serviço das classes
dominantes, chegando ao consenso de que a sociedade deve limitar-se
apenas a instruir o trabalhador, e não formá-lo e educá-lo
integralmente, no mais amplo sentido da palavra. A formação
intelectual que permita uma consciência crítica necessária para um
entendimento mais profundo e crítico da realidade e as contradições
inerentes à mesma, é constantemente negada ao trabalhador, bem como
à maioria das pessoas.
E, numa sociedade onde é Tabu se falar em controle da natalidade,
infelizmente este talvez seja um dos únicos caminhos a ser
percorrido pelos aparatos educativos: o povo é gado e massa de
manobra, portanto, para que dar caviar para ele? Que se contentem
com ração que lhe é caridosamente fornecida.
Assim, a amplitude, o sentido da luta de classe se estende do
econômico e social para o terreno educacional e cultural, sendo a
cultura, a educação e o saber uma luta maior entre as classes
fundamentais, tanto nos países avançados como nos subdesenvolvidos.
Com a diferença (fundamental) que nos países avançados o direito à
escola e à instrução deixou de ser uma proposta e passou a ser uma
realidade integrante ao social. Enquanto nos países menos
desenvolvidos, entre eles o Brasil, ainda não existe garantia, nem
mesmo formal, desse direito elementar.
Até certo ponto, é do interesse do sistema capitalista que o
trabalhador tenha direito à escola e à instrução, como queria
Diderot. Mas o trabalhador moderno vai além, ele quer mais do que
isto: deseja maior acesso ao conhecimento, ao saber, enfim, à
cultura e à educação. “O capitalismo tem sido esperto em garantir um
mínimo de educação escolar básica para as classes trabalhadoras,
continuando a reprimir o direito à educação”, diz Miguel Arroyo.
O capitalismo moderno e a classe dominante que o representa têm
tirado mais proveito desse contraditório dilema em relação à
construção do educativo do que a moderna classe dos trabalhadores.
Ainda hoje, a educação das classes trabalhadoras não encontrou seu
espaço - e, num país de origens fundamentalmente colonialista, não
se vê muita perspectiva de que isto aconteça naturalmente.
Para concluir, citemos mais uma contradição do sistema apontada por
Carlos R. Jamil Cury, em seu livro “Educação e Contrição”, página
72: “(...) como os sujeitos nunca se separam dos seus atos, é
preciso elaborar um saber falso e falsificador, o que explica a
tentativa de reduzir os limites da formação: tudo o que se refere ao
conhecimento do conjunto do processo de produção é não só inútil
como prejudicial ao bom andamento da empresa".
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