O
Estresse e a Memória
Atualmente um novo problema parece estar associado
ao desgaste da capacidade de fixação. É o excesso ou sobrecarga de
informação. As informações dos tempos modernos chegam até nós
através dos mais variados meios: jornal, revista, rádio, televisão,
cinema, fax, carta, e-mail, internet, escola, cursos, etc... Muitas
vezes essa avalanche de informações superam nossa capacidade de
apreensão eficaz.
Essa dificuldade de apreensão e, conseqüentemente, de memorização
tem muito a ver com o estresse por excesso de estimulação e
solicitação. Evidentemente que, em curto prazo, o estresse até
habilita nosso cérebro a reagir mais prontamente aos estímulos,
sendo essa a função primária da ansiedade do estresse. Em longo
prazo, entretanto, o desgaste supera a eficiência.
Algumas pesquisas na área do estresse calculam que, ao fim de cerca
de 30 minutos, os hormônios do estresse (adrenalina e cortizona)
começam a desativar as moléculas que transportam glucose para o
hipocampo, deixando assim essa parte do cérebro com pouca energia.
Depois de períodos mais longos, os hormônios do estresse podem
acabar comprometendo seriamente as ligações entre neurónios e
fazendo o hipocampo reduzir ao máximo sua ação, tal como uma espécie
de atrofia funcional. Esta espécie de atrofia funcional é reversível
se o estresse for curto, mas um estado de estresse que demora meses
ou anos, pode acabar inutilizando definitivamente neurónios do
hipocampo.
Como vimos acima, quem garante a eficácia da memória, indiretamente
da consciência que se tem do vivido, é um atributo automático do
hipocampo, portanto, havendo dano dessa estrutura cerebral a
capacidade de fixação mnêmica estará prejudicada.
O Estrogênio e a Memória
As pesquisas que relacionam o estrogênio (hormônio feminino) com a
memória foram estimuladas indiretamente, partindo da observação de
que as mulheres que tomavam estrogênio reduziam o risco de contrair
a doença de Alzheimer.
A a importância do estrogénio em relação à memória verbal foi
testado em mulheres jovens, antes e depois de serem submetidas a
tratamento para tumores uterinos. Os níveis de estrogênio dessas
mulheres decresciam fortemente depois de 12 semanas de
quimioterapia, assim como decresciam também os seus resultados nos
testes de retenção da leitura. Mas, quando metade dessas mulheres
juntou estrogênio ao regime terapêutico, a memória melhorou
prontamente.
As razões para esse efeito protetor sobre a memória atribuído ao
estrogênio ainda não são claras, mas o hormônio parece catalisar o
desenvolvimento de neurônios no hipocampo e fomentar a produção de
acetilcolina, um composto (neurotransmissor) que ajuda as células
cerebrais a se comunicarem. Infelizmente, o uso de estrogênio também
tem riscos, em especial para as mulheres com predisposição para o
câncer de mama.
Foco de Atenção
O aspecto para o qual se dirige a Atenção é chamado de alvo
(perceptual e motor), por isso e apropriadamente, podemos fazer uma
analogia didática do focalizar da consciência com um alvo de tiro. O
elemento que, em dado momento, constitui o objeto de nossa Atenção,
ocupa sempre o ponto central do campo da consciência. O centro desse
alvo perceptual corresponde ao grau máximo de consciência e é
denominado foco da Atenção. Aí, tudo o que é focal é percebido com
Atenção em seu redor, porém, existem outros objetos ou fenômenos
psíquicos, os quais, sem ter abandonado o campo da consciência,
deixam de ser objeto de Atenção. Os círculos concêntricos mais
próximos exprimem, esquematicamente, a área subconsciente e o
círculo mais afastado o inconsciente.
O elemento que, em dado momento, constitui o
objeto de nossa Atenção, ocupa sempre o ponto central do campo da
consciência, portanto, nossa capacidade para concentrar a atividade
da consciência em uma só coisa acaba, forçosamente, excluindo total
ou parcialmente as demais. Entre as partes deste conjunto composto
pela consciência, subconsciente e inconsciente não é possível
estabelecer limites de nítidos.
Aspecto Temporal da Atenção
Geralmente, a duração de um
determinado foco de Atenção é breve. Existe constante passagem da
Atenção de uma parte da realidade para outra e isso se dá por várias
razões. De um lado, existe na Atenção, como em todos os processos
psicológicos, uma forma de saciedade. Esta saciedade tende a inibir
a continuidade de Atenção em determinada direção, como se a pessoa
estivesse continuadamente em busca de novidades perceptivas. A
Atenção tender a mudar, espontaneamente, depois de um período de
focalização em uma parte da realidade.
Outra razão para a passagem da Atenção de uma parte da realidade
para outra é obtenção de uma certa organização perceptual. É difícil
ou impossível, por exemplo, organizar o todo a ser percebido com um
único olhar. É preciso passos sucessivos de exploração para que cada
parte ou aspecto seja fixado por sua vez.
É importante esses aspectos temporais da
organização perceptual e mesmo caso dos padrões estático de certos
estímulos, a percepção adequada envolve, invariavelmente, mudanças
sucessivas de focos de Atenção. Este é um elemento fundamental para
o artista, por exemplo, o qual precisa, construir sua obra de arte
de tal forma que o olho do observador seja dirigido numa direção
determinada através do quadro ou da estátua. Sem esse elemento
organizacional não seria possível a percepção dos detalhes alocados
no objeto.
Mais uma razão para a passagem da Atenção de uma
parte da realidade para outra é a limitação da quantidade de
material que pode ser incluída no foco de Atenção, em cada momento
considerado. Um hipotético olho cósmico, se existisse, poderia
apreender simultaneamente completamente tudo de uma determinada
situação mas, o ser humano e os organismos inferiores, entretanto,
podem apreender apenas uma proporção limitada da realidade. Uma
forma de estudar o problema do alcance máximo do foco de Atenção é
através da análise da amplitude da apreensão.
Esta Amplitude da Atenção se refere ao número
máximo de objetos que podem ser percebidos imediatamente. Espalhando
um pequeno número de grãos de feijão numa mesa e olhando de relance,
procuramos ver quantos grãos existem. Verificaremos que cometermos
poucos erros quando os grão são em número de cinco ou seis mas, a
partir desse número, começamos a errar mais. Portanto, nossa Atenção
se desloca de tempos em tempos para outras partes da realidade
porque é limitada a capacidade de apreendermos simultaneamente
muitas coisas.
Sob este ponto de vista, a atividade mental
consiste num vaivém perpétuo de focalizações da Atenção em
acontecimentos interiores, em sensações, em sentimentos, em idéias e
em imagens mentais que se associam ou se repelem, segundo as leis do
dinamismo psíquico. Serão estes diferentes estados de Atenção que
permitem o aspecto dinâmico na atividade da consciência.Em função da
atividade predominante, distinguem-se 3 tipos principais de Atenção:
sensorial, motora e intelectual.
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