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ARTIGOS EM PORTUGUÉS

O PAPEL DA
FAMÍLIA NA APRENDIZAGEM DA LEITURA
Por Vicente Martins:
Universidade Federal do Vale de Acaraú (UVA) - Ceará
Sumário
1. Introdução
2. Desenvolvimento da competência lectoescritora
3. Insucesso da escola no ensino lectoescritor
4. Defeitos na aprendizagem da lectoescrita
5. O ensino da história da língua materna
6. Desenvolvimento da capacidade de aprender
7. Bibliografia
1. Introdução
Uma das reclamações mais freqüentes de pais, com filhos em idade
escolar, é a de que as instituições de ensino, públicas ou privadas,
populares ou burguesas, não têm dado uma resposta adequada e, em
tempo hábil, às crianças que sofrem com as dificuldades de leitura e
de escrita no ensino fundamental. As dificuldades lectocritoras
atingem ricos e pobres, brancos ou negros, europeus ou latinos, que
estão nos bancos escolares.
Para se ter uma idéia da incidência das dificuldades escolares, no
âmbito das instituições de ensino, salientaremos que entre 10 a 15
por cento da população em idade escolar vai apresentar, em sala de
aula, algum tipo de dificuldade de aprendizagem.
A escola ainda não responde, eficazmente, ao desafio de trabalhar
com as necessidades educacionais das crianças especiais,
especialmente às relacionadas com as dificuldades de linguagem como
dislexia, disgrafia e disortografia.
A dislexia ocorre quando uma criança não lê bem ou não encontra
sentido diante do texto escrito. A disgrafia e a ortografia se
manifestam quando há dificuldade no plano da escrita ou do ato de
escrever.
São os distúrbios de letras déficits que preocupam os pais porque
sabem que o sucesso escolar de seus filhos depende, e muito, da
aprendizagem eficiente da leitura, escrita e ortografia.
2. Desenvolvimento da competência lectoescritora
Não são poucos os relatos de ansiedade dos pais por se depararem,
amiúde, com as dificuldades de aquisição e desenvolvimento linguagem
verbal, oral e escrita, de seus filhos.
A leitura e a escrita são duas habilidades complexas e
imprescindíveis para aquisição para as demais habilidades escolares
como a de calcular e de contemplar os saberes acumulados
historicamente na civilização do conhecimento.
Os pais, nos seus relatos, apontam educandos que, aos 8 ou 9 anos de
idade, apresentam leitura e escrita ou ortografia defeituosas. A
troca de letras na escrita ou a troca de fonemas na fala ou leitura
são os principais indicadores das dificuldades lectoescritoras.
A falta de planejamento no ato de escrever ou a falta de uma
compreensão leitora, após a leitura de texto, são indicadores do
grau de complexidade da lectoescrita no meio escolar.
Nessa faixa etária, particularmente no primeiro ciclo da educação
formal e sistemático, no ensino fundamental, as preocupações dos
pais se voltam para os primeiros indícios de deficiências
lingüísticas. Os transtornos de leitura, as diversas dislexias
(fonológica e ortográfica) e de escrita (disgrafias) e ainda
disortografia (má grafia das palavras) são as principais queixas dos
pais.
A tese de que a escola é uma fábrica de maus leitores não deve ser
descartada nesse momento. Não se trata de encontrar culpados, mas de
buscar as raízes do fracasso escolar. A escola, apesar de ser uma
instituição antiga, ainda está engatinhando no ensino científico da
línguas materna e estrangeira.
A dispedagogia, ausência de método eficaz no ensino escolar, por
incúria do sistema político ou por incompetência da gestão
pedagógica, é apontada hoje como mais importante causa do fracasso
do ensino da lectoescrita e, a insistência no equívoco, acaba por
gerar, ao longo de mais de uma década de formação escolar, uma
aprendizagem deficiente, “patológica”, causando uma série de
“atrasos”, “alterações” “distúrbios” ou “perdas” de letras.
A escola, a rigor, não se deu conta de que ensinar bem é favorecer a
memória de longo prazo das crianças (MLP), para que estas armazenem
informações e conhecimentos por um longo período da vida escolar.
Assimilar bem os conteúdos escolares deve ser verdadeiramente a
finalidade última da escola. Numa linguagem comum, ensinar para vida
é ensinar a pescar e não se limitar a dar o peixe: é ensinar a
aprender a aprender. É numa palavra: desenvolver, na criança, a
capacidade de aprender.
O significado de aprender deve ser, portanto, o de se alcançar uma
assimilação ativa. Aprender na educação infantil, levar esses
conhecimentos para o ensino fundamental e aprofundá-los no ensino
médio, de tal modo que, na última etapa da educação básica, os
jovens tenham desempenho eficiente ou satisfatório na hora de ler um
livro ou de escrever um texto para concurso ou vestibular.
Sem uma Memória de Longo Prazo (MLP) é difícil o acesso ao léxico na
hora de redigir textos ou fazer uma leitura compreensiva. Ler para
aprender começa por uma leitura compreensiva de uma obra literária,
como a dos clássicos da literatura brasileira (Machado de Assis,
Aluísio Azevedo, Rachel de Queiroz entre outros) e não se limitar a
responder as questões da “ficha de leitura”, anexa ao livro.
Ler, pois, é inferir idéias e construir, como patrimônio próprio,
cosmovisões do meio social, da vida, das relações pessoais, das
formas de poder, da civilização, e mais, atribuir sentidos,
significados plurais, ao que leu, de modo a aplicar informações e
reconhecimentos retidos na vida acadêmica e pessoal.
Uma obra, como o Cortiço, de Aluísio Azevedo, não poderá ser
traduzida apenas como uma descrição do quadro social do Rio de
Janeiro no final do Século XIX, mas como uma crítica do autor,
naturalista, à forma predatória com a qual Portugal dominou o Brasil
no período colonial. A escola, não poucas vezes, insiste em questões
genéricas como “ qual o gênero dessa obra”, “a que escola pertence o
autor x ou y”, “ quem é o personagem plano, redondo...”.
Procedendo assim, a escola funciona como uma espécie de “cemitério
oficial de leitores hábeis”. Alguns professores, nesses “cemitérios
leitores”, funcionam não como facilitadores e estimuladores da
aprendizagem eficaz, mas verdadeiros “coveiros” de cérebros da
leitura.
Muitas vezes, as preocupações dos pais com o desempenho leitor dos
filhos são aparentemente pequenas. Todavia, procedem não poucas
vezes. Alguns pais, decerto, exageram nas expectativas de seus
filhos quanto à escrita ou à leitura, mas a desconfiança é ainda,
para os pais, um bom indício do que, realmente, pode estar ocorrendo
na formação lectoescritora do filho.
Ser leitor ou escritor (sem uma conotação de ser um homem de mídia,
artes ou letras) é tarefa escolar e os pais não podem abrir mão de
cobrar da gestão escolar, isto é, governos, conselheiros
educacionais, diretores, coordenadores e professores, a proficiência
lectoescritora de seus filhos.
A sociedade escolheu, entre as instituições sociais, a escola para
trabalhar com os cérebros da leitura e da escrita de nossos filhos.
Ocorre que muitas crianças, com dificuldades de lectoescrita,
especialmente a falta de habilidade leitora, não chegam à
compreensão significativa do assunto da obra. Os pais e os
professores, doutra sorte, almejariam que seus filhos-leitores
alcançassem, após a leitura de uma obra, pelo menos, à compreensão
das palavras, das frases e do seu mecanismo de funcionamento.
Alguns educandos, com formação escolar, tornam-se maus leitores, que
não resistem a uma simples soletração cumulativa, alfabética, ou
mesmo a dizer o significado literal, ao pé da letra, de uma palavra
num ambiente textual. Um mau leitor, no ensino médio, pode ser
gerado ou forjado no ensino fundamental.
Tomemos, por ilustração, alguns alunos, com dificuldades específicas
de lectoescrita, já no final do primeiro ciclo do ensino
fundamental, fazem a troca dos grafemas simétricos (a escrita
espelhada de b,p,d e q) ou de fonemas que têm o mesmo modo ou ponto
de articulação, como t/d, f/v, b/p principalmente.
O que fazer se a dificuldade dos educandos está na palavra, no signo
gráfico e não no texto como um todo? Alguém que tenha dificuldade de
compreender uma palavra terá alguma chance concreta de entender bem
uma frase? Terá sido eficiente a educação infantil ou a classe de
alfabetização, quanto ao desenvolvimento cognitivo e leitor da
criança, na preparação para a leitura inicial ou intermediária? São
questões que inquietam pais, professores e investigadores de
problemas de linguagem.
Muitos pais, sem uma resposta eficaz da escola, procuram, fora do
ambiente escolar, profissionais como fonoaudiólogos, pediatras,
neurologistas e psicopedagogos, na busca de superação do problema.
Muitos profissionais, por seu turno, atuam, prontamente, na
reeducação da linguagem verbal. Sugerem caminhos, entretanto, as
dificuldades de lectoescrita são específicas da leitura e da
escrita. Os que se aventuram a entender e a intervir,
profissionalmente, na terapia das habilidades lingüísticas, devem
conhecer sobremaneira aportes da teoria da aquisição, processamento
e desenvolvimento da linguagem. Não é por acaso que, hoje, os
profissionais de saúde (mais do que os professores) são os grandes
leitores e autores de obras relacionadas com as patologias de
linguagem.
Há uma “medicina pedagógica” (pediatria, neurologia, psiquiatria etc)
que já vem ocupando os vazios deixados pelos pedagogos tradicionais
quando diante de situações em que as crianças não aprendem a
escrever e a ler bem apesar de ter as condições objetivas oferecidas
para uma formação eficaz.
Com a ajuda desses profissionais da educação e reeducação
lingüística, que se dedicam à terapia da linguagem, bem como ao
diagnóstico e intervenção psicopedagógica, o problema da dislexia,
disgrafia ou disortografia, tem sido aparentemente amenizado,
compensado, mas não significa a superação definitiva dos distúrbios.
Se estivermos tratando de atrasos lingüísticos, de ordem
psicolingüística, a solução está no processo de formação escolar,
portanto, sua natureza é pedagógica, didática, passa por uma relação
nova entre professor, aluno e escola.
3. Insucesso da escola no ensino lectoescritor
Os problemas de leitura e escrita deveriam ter resposta eficaz no
meio escolar, num trabalho interdisciplinar, contando, é claro, com
a ajuda externa de profissionais da psicologia, da fonoaudiologia e
da Medicina (pediatria e neurologia ).
As soluções de problemas lingüísticos devem ser respondidos porque
todos aqueles que atuam diretamente com a linguagem (todos os
professores são professores de linguagem, em potencial), de modo a
apresentar soluções sejam endógenas, de dentro pra fora da escola,
sem perder de vista as especifidades do processo lectoescritor, que
é, como disse, de origem pedagógica, que tem uma natureza didática,
e, por isso mesmo, as soluções, definitivas ou temporárias, devem
advir do próprio ambiente e dinâmica da escola.
O professor, principal agente do processo reeducador, deveria ou
deve ser o mais aplicado, o mais qualificado, nas questões
referentes à pedagogia da lectoescrita.
Sem um trabalho consistente da escola, as trocas de letras
simétricas, por exemplo, tendem a persistir na fase adulta. Em
alguns casos, claro, com menos freqüência. Outras vezes, uma
síndrome que acompanhará a criança, o jovem e o adulto por toda sua
vida. É necessário o trabalho de reeducação lingüística, isto é,
formar a consciência lingüística, especialmente a fonológica, quer
dizer, a consciência dos sons da fala.
É papel da escola ensinar bem o sistema fonológico da língua, sua
distribuição, sua classificação e sua variação. A escola precisa
ensinar, desde cedo os conceitos lingüísticos, de vogal e consoante,
ditongo, hiato, enfim, no ensino da língua materna.
É esta consciência fonológica ou lingüística que fará com que a
criança, ao escrever palavras com letras simétricas (p, b, p, q),
pense e repense sobre o processo da escrita alfabética.
Uma das conseqüências da falta de consciência fonológica é, na
escrita formal, os alunos, “saltarem” grafemas, por exemplo: coisa,
ela escreve coia/ glóbulo/gobulo.
Quando trocas, omissões e substituições de fonemas/grafemas ocorrem
no processo de formação lectoescrita, não temos dúvida de que a
escola foi omissa ou negligenciou um ensino fonológico eficaz da
língua materna.
4. Defeitos na aprendizagem da lectoescrita
Falar e escrever são duas habilidades complexas no âmbito das
habilidades lingüísticas. Expressar-se verbalmente, oral ou escrito,
é habilidade que não nasce com o ser humano.
A escola é, no âmbito das instituições sociais, a escolhida pela
sociedade para o desenvolvimento das habilidades de leitura,
escrita, fala e escuta.
A fala, porém, deveria ser, para a escola, a habilidade inicial,
básica, ponto de partida, para um trabalho mais acurado na formação
lingüística das crianças.
A escola, todavia, tem tomado a fala espontânea, particularmente a
que resulta da variação popular, como expressão errada, o que
configura o chamado preconceito lingüístico.
Os pais e educadores ou todos aqueles profissionais que operam com
diagnóstico e intervenção psicolingüísticas devem ficar atentos para
a idade de aquisição da linguagem.
Além de um determinante constitucional, o acesso obrigatório da
criança ao ensino fundamental, a partir dos 7 anos, atende, também,
uma etapa importante para seu desenvolvimento cognitivo, suas
competências e habilidades lingüísticas.
A partir de 8 ou 9 anos de idade e, já no final do primeiro ciclo do
ensino fundamental, é importante que os educandos estejam
proficientes na escrita e na leitura inicial.
A proficiência é um indicador importante do sucesso ou êxito
escolar. Quando há dificuldade significativa e persistente na
escrita ou na leitura inicial ou intermediária da criança, podemos
dizer, de alguma maneira, que há fracasso escolar.
Assim sendo, os familiares devem redobrar suas atenções à expressão
oral ou escrita dos filhos, de modo a verificar, de logo, indícios
de defeitos de aprendizagem de leitura e de escrita das crianças.
Uma boa e recomendável iniciativa é a de família escolarizada
começar pela articulação escorreita dos sons da fala (os fonemas) e
a escrita alfabética (os grafemas ou as letras). As trocas,
substituições e omissões de fonemas, na fala ou na leitura, refletem
deficiência na aprendizagem lectoescritora. A troca de fonemas, como
p/b, p/q, f/v, entre tantas unidades sonoras e distintivas do
sistema consonantal do português, por exemplo, nessa fase, reflete,
muitas vezes, uma deficiência de ordem lingüística ( e não um
déficit necessariamente neurolíngüístico), na formação lingüística
inicial (alfabetização e letramento) da criança.
Uma criança que troca fonemas na fala ou que faz confusão na
correspondência entre grafema-fonema e fonema-grafema parece
sugerir, para os educadores e lingüistas, que há uma deficiência na
formação pedagógica. Daí, ser o método lectoescritor um dos objetos
da chamada lingüística educacional ou pedagógica.
Sabemos que muitas deficiências estão enraizadas na própria
pedagogia. Muitos de nossos alfabetizadores, em que pesem os anos de
experiência, o esforço exemplar, a dedicação ao magistério, têm
deficiência de formação para o magistério escolar.
Nas escolas, por vezes, ocorre a má instrução do ensino de leitura
ou escrita. Pensemos, primeiramente, como uma ocorrência
involuntária. Todavia, traz, ao longos dos anos de formação escolar,
conseqüências sérias para o processo lectoescritor.
Um professor (ou professora), de educação básica, que diz que vogal
é letra ou que não sabe discriminar, numa palavra, a quantidade de
fonemas e letras, decerto, não conseguirá ministrar um ensino
sistemático, seguro e coerente. Seu aluno, com certeza, terá
dificuldade de soletração ou prosódia de algumas palavras.
Uma escola que ensina, por exemplo, termos, no sistema fonológico do
português, apenas 5 vogais, está dando bases precárias, de ordem
metalingüística, para a leitura, o que acaba por levar o educando à
aquisição de uma dislexia pedagógica. Entendendo dislexia aqui como
um termo estritamente lingüístico-pedagógico e não um transtorno à
luz do psicólogo ou um déficit neurológico como quer um neurologista
cognitivo.
Sabemos que são 12 vogais. São 7 as vogais orais: /a/, /é/, /ê/,
/i/, /ó/ /ô/ e /u/ e 5 nasais: /an/, /en/, /in/, /on/ e /un/.
Vogais são os sons da fala. Vogais não são letras. Vogais são
fonemas, isto é, unidades sonoras distintivas da palavra. Vogais têm
a ver com a leitura. Sem esse entendimento, não como vislumbrar um
ensino a favor da consciência metalingüística dos sons da fala.
As letras, que representam as vogais ou sons da fala, têm uma
estreita relação com a escrita. A decodificação, fase importante na
leitura, anterior à compreensão leitora, requerer o reconhecimento
das letras ou dos grafemas, das diversas manifestações gráficas dos
grafemas no sistema escrito.
Ler e escrever se complementam, mas não são habilidades que tem
níveis homogêneos. Falar bem não é garantia de uma boa escritura.
Escrever bem não garante uma boa leitura.
Quem lê mais amplia seu conhecimento prévio na hora de redigir, mas,
ambos, escrita e leitura, são processos que têm suas
especificidades.
Como disse, numa palavra: a escrita não é espelho da fala. Como se
diz, como se fala, como se pronuncia o nome das pessoas ou objetos,
não é, necessariamente, como se escreve. Não há uma correspondência
biunívoca entre fonema ou som da fala com a escrita, com os
grafemas.
Nos casos em que crianças apresentam, insistentemente, a troca de
letras, podemos supor, por exemplo, uma dificuldade por motivação
fonológica.
Uma informação lingüística ou metafonológica no processo de formação
escolar faz diferença na habilidade lectoescritora da criança. Quem
aprender a refletir a língua compreenderá melhor seus lapsos ou
vícios de linguagem.
A fonologia, parte da gramática, que trata dos fonemas, é de suma
importância para a escrita e para a articulação de palavras.
Vejamos, por exemplo, os fonemas /t/ e /d/ são consoantes
linguodentais. Uma surda (/t/, como em “todo”)). A outra sonora
(/d/, como em “data”).
Os pais devem estar atentos quanto à articulação desses fonemas.
Devem, pois, começar por observar, atentamente, a fala espontânea,
típica, de seus filhos.
Perguntas como “ o que ocorre, com a escrita, depois de um ditado?”
ou “estão sendo bem articulados por seus filhos na fala espontânea
ou na leitura de textos escolares?” devem fazer parte do centro de
interesse pedagógico e preocupação familiar dos pais.
Então, se não estão aprendendo bem a estrutura fônica da língua, que
tal um trabalho com as cordas vocais, para que os percebam a
diferença quanto à sonoridade?
É uma hipótese importante. Em geral, quando ocorre esse déficit
fonológico, essa hipótese há de ser confirmada na pronúncia ou
soletração de consoantes labiodentais, como: /f/ e /v/ e as
labiodentais /p/ e/b/.
Os pais, com ou sem formação superior, devem ter o hábito de abrir
as gramáticas escolares que, infelizmente, trazem regras pouco
claras. Ainda assim, as gramáticas trazem informações que podem
esclarecer, por dedução, regras a partir das informações dos fatos
ou fenômenos lingüísticos.
Quem lê uma gramática sem se preocupar com a memorização de regras,
e sim, comprometido em efetivamente compreendê-las, acaba tirando
dividendos da metalinguagem gramatical: a explicação do código pelo
código.
É interessante que a classificação das categorias gramaticais ou a
terminologia da teoria da linguagem, não poucas vezes, são
motivadas, trazem uma herança grego-latina da linguagem se
confundindo com o ser, com a coisa, como o fato gramatical.
Um advérbio é um é uma categoria que modifica o verbo (o adjetivo e
o próprio advérbio também) porque é um “ad verbio”, isto é, uma
categoria gramatical que fica próxima ao verbo. Um advérbio
morfossintaticamente é uma categoria que se combina na estrutura
oracional com o verbo, complementa seu sentido em diversas
circunstâncias (modo, companhia, negação etc).
A gramática não ensina assim, mas a terminologia nos sugere (...)
O PAPEL DA FAMÍLIA
NA APRENDIZAGEM DA LEITURA II
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