Instrumentos psicológicos mais conhecidos e utilizados por
estudantes e profissionais de psicologia
Well-know
psychological instruments used by psychology students and
professional
Ana
Paula Porto Noronha1
; Flávia Nunes de Moraes Beraldo*2;
Katya Luciane de Oliveira3
Universidade São Francisco
*UNIFENAS
RESUMO
O
presente estudo objetivou identificar os instrumentos psicológicos
mais conhecidos por estudantes e profissionais de psicologia e
levantar os instrumentos mais utilizados pela amostra. Participaram
82 alunos último-anistas, de uma universidade particular do interior
paulista e 52 profissionais. O material utilizado constituiu-se de
uma relação de instrumentos de avaliação psicológica e a tarefa dos
sujeitos era assinalar os instrumentos conhecidos, os utilizados, e
os desconhecidos. A aplicação se deu no próprio período de aula, com
a respectiva autorização da coordenação e dos professores. Para a
coleta dos dados dos profissionais formados, os questionários foram
enviados pelo correio, pois o instrumento é auto-aplicável. Os
resultados indicaram uma diferença entre os grupos no que diz
respeito aos instrumentos mais conhecidos e utilizados por
estudantes e profissionais. Estudos comprovam que alguns dos
instrumentos mais conhecidos são também os mais freqüentes nos
cursos de formação de psicologia. Sugere-se que novas pesquisas
desta natureza sejam realizadas.
Palavras Chave:
Avaliação psicológica, Instrumentos psicológicos, Testes
psicológicos.
ABSTRACT
This study aimed
to identify well-know psychology instruments used by psychology
students and professionals and list used instruments in the sample.
82 senior students in a private university of São Paulo countryside
participated in the study along with 52 professionals. The material
used in this study comprised a setoff psychological assessment
instruments and the task assigned to subjects was to check know,
used and unknown tools. The task was performed during class hours,
authorized by teachers and coordination. To collect data from
majored professional, questionnaires were sent by mail because it is
a self-applied questionnaire. Results indicated a difference between
the 2 groups concerning well-know and used instruments by students
and professionals. Studies show that some well-known instruments are
also the most frequent in psychology courses. New researches on this
topic should be done to gather further data.
Keywords:
Psychological assessment, Psychological instruments, Psychological
tests.
INTRODUÇÃO
Avaliação psicológica é um processo de coleta de dados, cuja
realização inclui métodos e técnicas de investigação. Os testes
psicológicos, por sua vez, são instrumentos exclusivos do psicólogo
e são úteis à medida que, quando utilizados adequadamente, podem
oferecer informações importantes sobre os testandos.
Embora na literatura haja registros de que os primeiros testes
simples, com estruturas frágeis, tenham sido criados no final do
século XIX e apesar de haver mais de um século de história na área,
os instrumentos atuais ainda apresentam falhas e sofrem críticas.
Para Almeida (1999) os instrumentos psicológicos não acompanharam o
desenvolvimento das demais áreas de conhecimento, como a informática
ou a tecnologia, tendo em vista que os instrumentos atuais muito se
aproximam dos iniciais.
Em
contrapartida, há perspectivas para a superação das dificuldades
apresentadas, pois segundo Sisto, Sbardelini e Primi (2001) tal
quadro parece estar sendo revertido, considerando que o Conselho
Assessor de Psicologia no CNPq definiu a subárea de “Fundamentos e
Medidas em Psicologia” como uma das cinco, dentre dez existentes,
que mereceriam atenção e investimentos, o que pode gerar um avanço
na área. A
Formação Profissional em Avaliação Psicológica
Formar profissionais competentes não é tarefa fácil. A cada ano
muitos psicólogos se formam e devem desenvolver atividades
pertinentes à sua atuação profissional, o que inclui a realização da
avaliação psicológica; tal atividade representa a psicologia e a
difunde na sociedade. Portanto é importante que haja esmero neste
trabalho e em todos os outros, a fim de que a ciência psicológica
seja mais divulgada reconhecida.
No
Brasil, os psicólogos se formam nos cursos promovidos por
instituições de ensino superior, com duração de dez/doze semestres,
para cursos diurnos/noturnos e, segundo Pfromm Netto (1991), a
preparação possui os seguintes objetivos: atender às necessidades do
profissional para a atuação; proporcionar ao aluno um conjunto amplo
e diversificado de conhecimento, habilidades, atitudes e
procedimentos; contribuir para com o processo científico e estimular
a produção brasileira de conhecimento.
Embora tais objetivos tenham sido traçados para a formação geral em
psicologia, também são pertinentes para a formação específica em
avaliação ou em qualquer outra área de conhecimento, considerando
que o psicólogo avaliador deve estar preparado para as demandas do
mercado profissional, deve conhecer profundamente conceitos teóricos
e metodológicos fundamentais e deve contribuir para o progresso da
avaliação psicológica.
No
entanto, na prática, nem sempre é isto que se encontra. Segundo
Buettner (1997) “o que observamos é que o aluno sai da universidade
sem a competência necessária para o exercício profissional. Os
cursos de graduação, mesmo quando propiciam uma boa formação, o que
não ocorre com a grande maioria, enfocam uma formação básica e
genérica” (p. 16). Witter, Witter, Yukmitsu e Gonçalves (1992)
enfocam que a formação universitária do psicólogo muitas vezes não é
ideal, evidenciando a necessidade da busca de um curso de
pósgraduação que em parte seria remediativo, porém poucos são os
profissionais que buscam uma especialização.
Corroborando a afirmação, Cardoso (1994) aponta que a educação
superior não deve ser entendida como oportunidade de emprego, tendo
em vista a qualificação recebida pelo o aluno durante o curso
superior, pois de uma forma geral, os alunos chegam ao final do
curso com sérias deficiências nas questões teóricas e metodológicas
o que resulta em uma baixa qualificação no mercado profissional.
Atualmente a profissão sofre com a constante concorrência de outros
profissionais que atuam nos mais diversificados setores como
escolas, empresas entre outros. Em parte o profissional tem uma
grande contribuição quanto a esta situação, pois quando do término
da graduação, os profissionais não dão continuidade à formação, a
fim de melhor qualificação profissional. Um profissional
desqualificado contribui para uma imagem negativa da profissão.
Dentro desta perspectiva, Witter e cols. (1992) destacam que toda
profissão tem uma imagem social e com o psicólogo não poderia ser
diferente, sendo que tal imagem é construída pelo profissional e
está diretamente relacionada com o respeito, autoridade, confiança e
espaço de atuação.
Ainda em relação à formação do psicólogo, no trabalho desenvolvido
por Rocha Jr. e Sá (1997) pertinente à análise dos currículos de
psicologia, de nove universidades brasileiras, verificou-se que a
pesquisa e a extensão deveriam estar mais presentes nos cursos, que
a formação se volta mais para ações curativas, que preventivas, que
a formação é generalista e que, segundo os alunos entrevistados, o
currículo não é integrado.
Discussões sobre a questão da formação do psicólogo na psicologia ou
especificamente na área de avaliação psicológica não têm faltado. E,
segundo Witter (1996) têm interessado aos pesquisadores nacionais e
internacionais, uma vez que vêm consolidar as questões relativas à
formação e atuação profissional, para que as práticas profissionais
se mantenham críticas, atualizadas e atentas às necessidades
sociais. Alguns estudos versam sobre a crença de que os testes
deveriam ser ensinados de forma integrada com os outros conceitos
psicológicos (Kroeff, 1998). Jacquemin (1995) defende que deve
existir uma programação mínima básica para a formação e que seja
priorizada a qualidade do ensino, e não a quantidade de testes
ensinados; e Hays e Wellard (1998) acreditam que é evidente a
necessidade de continuidade dos estudos após a graduação, em relação
à área.
Portanto, os estudos revelam a necessária modificação em relação aos
currículos existentes nas instituições brasileiras de ensino
superior, em relação à metodologia de ensino utilizada (quantidade
ou qualidade) e à criação de cursos de pós-graduação na área. Já em
relação aos alunos parece também haver necessidade de maior
compromisso com a sua preparação profissional, uma vez que estudos
revelam que a proficiência em disciplinas de T.E.P. depende de
fatores relacionados aos alunos como motivação, freqüência às aulas,
participação, capacidade de raciocínio e integração ao ensino
superior, dentre outros; e de fatores relacionados à complexidade do
conteúdo ensinado (Primi & Munhóz, 1998).
Testes Psicológicos
Os
testes psicológicos, apesar de se constituírem em instrumentos úteis
ao psicólogo, recebem muitas críticas e vêm sendo questionados.
Dentre os estudos recentes que se destinaram a estudar o status do
instrumento psicológico, destaca-se o de Noronha (1999) que
identificou que grande parte da amostra de psicólogos estudada não
utiliza testes psicológicos e que dentre os problemas listados,
encontra-se a própria fragilidade do material, o uso inadequado dele
e a formação profissional insatisfatória em relação à área. Em outro
estudo desenvolvido por Azevedo, Almeida, Pasquali e Veiga (1996), o
baixo teor científico dos testes foi denunciado, além da urgente
necessidade de melhoria. Almeida, Prieto, Muñiz e Bartram (1998)
revelaram que usar materiais inadequados para os objetivos da
avaliação, xerocar folhas de resposta, realizar avaliações
incorretas, não ter clareza das limitações dos instrumentos, usar
testes não adaptados para as diferentes realidades, dentre outros,
são os problemas mais delatados na prática dos testes.
Na
literatura internacional são freqüentes os estudos sobre o tema.
Numa consulta ao PsycINFO (1999- 2000) é possível encontrar 27554
artigos na área de psicologia, sendo que 11275 são relativos à
testes. Já no trabalho desenvolvido por Alchieri e Scheffel (2000)
com o objetivo de documentar e resgatar a produção científica
brasileira em periódicos nacionais na área de psicologia, foram
encontrados 1090 artigos sobre avaliação psicológica num período de
seis décadas (1930-1999). Como se vê é urgente a necessidade de
estudos científicos na área, portanto, tendo em vista as questões
destacadas o presente trabalho teve como objetivo avaliar o
conhecimento que psicólogos e formandos em psicologia têm a respeito
dos instrumentos psicológicos. Além disto, o estudo pretende listar
os instrumentos mais utilizados pelos sujeitos na sua prática
profissional.
MÉTODO
Participantes
Participaram como sujeitos deste estudo 134 indivíduos entre
estudantes de psicologia e psicólogos, que foram divididos em dois
grupos, a saber:
Grupo I: alunos último anistas do curso de psicologia, de uma
instituição de ensino superior particular do interior paulista,
representando 61,2% (N=82) da amostra. A idade variou de 21 a 49
anos, com média 26,41 (DP=5,31). Em relação aos gêneros, 7,32% (N=
6) eram do sexo masculino e 92,68% (N= 76) do sexo feminino;
Grupo II: psicólogos, representando 38,8% (N=52) da amostra, com
idade variando de 23 a 58 anos e média 34,1 (DP=8,2). Os sujeitos do
sexo feminino representaram 84,6% (N=44) da amostra e do sexo
masculino, 15,4% (N=8). Os sujeitos são formados em média há 7,6
anos (DP=8,0).
Vale ressaltar que três sujeitos do grupo I não preencheram os dados
de identificação e, portanto, não foram computados nestes aspectos.
Instrumentos Para a viabilização da pesquisa foi utilizada uma
relação elaborada pelas autoras, contendo instrumentos de avaliação
psicológica. Na relação estavam presentes 169 instrumentos das
seguintes editoras: 49 do CEPA, 50 da VETOR, 16 da CASA DO PSICÓ-
LOGO, 12 da EDITES, 8 da CETEPP, 1 da ARTES MÉDICAS, 14 testes
estrangeiros, 5 da EDITORIAL PSY, 4 da MESTRE JOU, 1 da
MELHORAMENTOS, 1 da ENTRELETRAS e 8 testes de editoras não
localizadas.
Os
sujeitos tinham quatro possibilidades de resposta para cada
instrumento listado, a saber: (a) conheci na graduação /
pós-graduação; (b) já utilizei; (c) conheci por procura espontânea;
(d) desconheço. Não havia na instrução a obrigatoriedade de que o
sujeito assinalasse uma única alternativa por instrumento, portanto
as respostas que possuíam mais de uma alternativa foram
consideradas, desde que não houvesse incoerências, como o
assinalamento de “(a) e (d)”.
Além da relação de instrumentos, o material possuía um quadro para
os dados de identificação no que se refere aos seguintes aspectos:
idade, sexo, área de atuação e tempo de profissão (no caso de
profissionais) e, no caso de alunos, idade e sexo.
Procedimento
Os
instrumentos foram aplicados com a devida autorização dos sujeitos.
Houve diferentes tipos de procedimento de acordo com os grupos
estudados. Para os alunos, os questionários foram aplicados
coletivamente, em horário de aula previamente cedida pelo professor,
e com a autorização da coordenadora de curso, sendo que a
participação era voluntária. As aplicações aconteceram em três salas
distintas, de último ano de curso (turnos matutino e noturno).
Para a coleta dos dados dos profissionais formados, os questionários
foram enviados pelo correio. Foram encaminhados para 87 psicólogos e
foram devolvidos, 48, o que representou 55,2% do total. Juntamente
com a relação de instrumentos e a carta de apresentação, foi enviado
um envelope selado e etiquetado para facilitar a devolução. Vale
ressaltar que fizeram parte do grupo de psicólogos formados 14
alunos de pós-graduação da mesma instituição do grupo de estudantes;
para os sujeitos do grupo II, a aplicação foi coletiva, nas mesmas
condições do grupo I.
RESULTADOS
Após a coleta de dados, os resultados foram organizados em tabelas,
de acordo com os objetivos do estudo. A análise foi realizada a
partir da freqüência das respostas e das respectivas porcentagens.
Em
relação ao primeiro objetivo (identificar os instrumentos
psicológicos mais utilizados pelos estudantes e profissionais de
psicologia), os resultados revelaram que, para o grupo I, a média de
testes conhecidos foi 37,82 (DP=36,87) o que indica um conhecimento
de 21,82% da relação apresentada. Os 15 instrumentos com maior
freqüência de resposta foram (Tabela
1)
: Teste de Apercepção Temática - T.A.T. (97,56%; N=80); Raven –
Matrizes Progressivas – escala avançada (95,12%; N=78); O Desenho da
Figura Humana (93,9%; N=77); Bender – Teste Gestáltico Viso-Motor
(91,46%; N=75); Wartegg, Teste de Apercepção Temática para Crianças
– C.A.T. (animais) e Raven – Martrizes Progressivas – escala geral
(90,24%; N=74); Teste de Apercepção Temática para Crianças – C.A.T.
/ humanas (89,02%; N=73); Teste de Zulliger (86,59%; N=71); Escala
de Maturidade Mental Columbia – CEPA (81,71%; N=67); Teste da Árvore
(80,49%; N=66); Teste de Apercepção Temática para Crianças –
suplemento animais, Matrizes Progressivas Coloridas e M.M.P.I.
(78,05%; N=64) e WISC (59%; N=71,95). média de testes conhecidos do
grupo II foi 48,79 DP=18,2), o que indica um conhecimento de 28,87%
da lista de instrumentos apresentada. A
Tabela 2
apresenta os instrumentos mais conhecidos pelos sujeitos deste
grupo, sendo que os 15 instrumentos mais freqüentemente
identificados pelos sujeitos foram: WISC 98,1%; N=51); Rorschach,
Teste de Zulliger e Desenho da Figura Humana (98,1%; N=48); Raven –
escala geral e escala avançada, Bender e Teste de Apercepção
Temática (88,5%; N=46); Teste de Wartegg, C.AT. animal e humano e
Teste da Árvore (86,5%; N=45); WISC III, M.M.P.I. e Escala de
Maturidade Mental Columbia 82,7%; N=43).
Tais dados estão presentes em outros estudos de natureza semelhante,
como o proposto por Alves, Alchieri e Marques (2001), em que T.A.T.,
Raven, WISC, HTP, C.A.T., Bender e Rorschach aparecem como os testes
mais ensinados em 64 cursos de graduação. Por outro lado, no
trabalho desenvolvido por Vasconcelos e Toledo de Santana (2001),
além de Raven, HTP, Desenho da Figura Humana, T.A.T. e Rorschach,
dois outros instrumentos que tiveram porcentagens pequenas no
presente estudo, apareceram como parte do conteúdo das disciplinas
na Universidade Federal da Paraíba (INV e LIP).
Comparando os resultados dos grupos I e II, observa- se que, da
relação de 15 instrumentos mais conhecidos, dois do grupo I (C.A.T.
animais suplemento e Matrizes Progressivas Coloridas) não aparecem
na lista do grupo II, e vice-versa (Rorschach e WISC III). O
destaque vai para o Rorschach que é o segundo mais conhecido (92,3%)
entre os sujeitos formados e que não figura entre os mais conhecidos
entre alunos último anistas; tal fato certamente se explica pela
ausência desses testes na formação dos sujeitos.
Em
relação aos instrumentos menos pontuados, os que seguem não foram
identificados por nenhum sujeito do grupo de estudantes: Lendo e
Escrevendo, STAXI – Inventário de Expressão de Raiva Traço-estado,
Teste Prontidão Horizontes, VIG – Bateria Burocrática, Escala de
Avaliação do Comportamento Infantil para Professor, Escala Fatorial
de Ajustamento Emocional- Neuroticismo e Teste de Quadros para
Adolescentes. Já no grupo de psicólogos, três outros instrumentos
não foram identificados: OPK – Teste de Agradabilidade Básica,
Coordenação Bi-manual e Teste Locus de Controle – Rotter.
Quanto ao segundo objetivo do estudo (identificar os instrumentos
mais utilizados pelos sujeitos), os resultados estão apresentados na
Tabela 3.
Os instrumentos mais utilizados são também os instrumentos mais
conhecidos pelos estudantes de uma maneira geral. A seguir
encontra-se a seqüência dos instrumentos mais utilizados e entre
parênteses apresenta-se a posição em relação aos instrumentos mais
conhecidos: Teste de Apercepção Temática – T.A.T. (1), O Desenho da
Figura Humana (3), Teste de Zulliger (9), Bender – Teste Gestáltico
Viso-Motor (4), Teste da Árvore (11), C.A.T. A (6), Escala de
Maturidade Mental Columbia (10), C.A.T. H (8), C.A.T. S (11),
Matrizes Progressivas – escala geral (6), Matrizes Progressivas –
escala avançada (2), Teste de Wartteg (5), Teste das Fábulas (16),
M.M.P.I. (11) e Matrizes Progressivas Coloridas (11).
Quanto aos resultados do grupo II, eles possuem as mesmas
características observadas no grupo I, ou seja, os instrumentos mais
conhecidos também aparecem como os mais utilizados. Os dados estão
apresentados na
Tabela 4
e a seguir encontram-se os mais citados: WISC (1); O Desenho da
Figura Humana (4); Teste de Apercepção Temática (8); Escala de
Maturidade Mental Columbia - CEPA (15); Teste de Wartegg (9); C.A.T.
humanas (11); Teste da Árvore (12); Bender (7); Raven- Matrizes
Progressivas – escala geral (5); Bateria Fatorial CEPA (21); Raven –
Matrizes Progressivas –escala avançada (6); C.A.T. animais (10);
M.M.P.I. (14), Rorschach (2) e Inventário de Interesses Angelini e
Thurstone. Vale destacar que os valores entre parênteses indicam as
posições dos instrumentos mais conhecidos pelos psicólogos.
Comparando os dois grupos, é possível observar que muitos dos
instrumentos aparecem como os mais utilizados em ambos os grupos,
exceto os seguintes que aparecem como mais freqüentes em apenas um:
Teste de Zulliger, C.A.T. animais suplemento, Teste das Fábulas e
Matrizes Progressivas Coloridas (grupo I); WISC, Bateria Fatorial
CEPA e Rorschach (grupo II).
DISCUSSÃO
O
presente estudo teve como objetivo identificar os instrumentos mais
conhecidos e utilizados pelos psicólogos e por estudantes de
psicologia. Constatou-se, a partir da análise dos dados, que os
instrumentos mais conhecidos são também os mais utilizados, na
grande maioria das vezes, com alguma variação na seqüência
apresentada em uma ou outra situação, por ambos os grupos.
Tal
constatação, já esperada, confirma a tendência de se reproduzir o
conhecido e dominado, e a falta de abertura para o novo. Por mais
que isso esteja presente em diferentes áreas de conhecimento, a
conseqüência é complicada e desastrosa, pois se perpetua o ensino
das mesmas técnicas e não se possibilita que concepções mais
recentes sejam integradas à prática profissional, sem que, por outro
lado, as boas técnicas antigas sejam valorizadas. Almeida (1999)
aponta que o fraco diálogo entre investigadores e profissionais
impede o avanço dos testes psicológicos, e que o desenvolvimento
deste instrumental está fortemente associado ao desenvolvimento do
país, portanto países em ascensão tendem a oferecer melhores e mais
novos materiais.
Outro dado merece atenção. A diferença encontrada entre os grupos no
que diz respeito ao conhecimento dos instrumentos, revelou-se
pequena, o que remete àquela discussão que evidencia que apenas uma
parcela da comunidade de psicólogos se atualiza e continua a
estudar, enquanto grande parte se satisfaz com os conhecimentos
adquiridos na graduação.
Pesquisas futuras poderiam ser realizados a fim de se levantar a
qualidade dos instrumentos que estão sendo ensinados nos vários
cursos de graduação nas universidades brasileiras, pois como sugere
Castro (2001) a avaliação sobre os elementos inerentes ao processo
ensinoaprendizagem de disciplinas de avaliação psicológica, é sempre
oportuna, uma vez que pode gerar reflexões sobre estratégias de
ensino, de forma a valorizar e consolidar o papel das técnicas na
formação do psicólogo. No estudo desenvolvido por Wechsler e cols.
(2000) entre estudantes universitários, com o objetivo de
identificar as necessidades de pesquisa em avaliação psicológica,
WISC, Bender, Columbia, HTP e Rorschach foram considerados os testes
que mais necessitam de pesquisas no Brasil. Certamente, os sujeitos
se basearam nos instrumentos ensinados nas suas respectivas
formações profissionais para poder avaliar, o que pode sugerir que o
universo de conhecimento é também restrito e parcial.
Em
contrapartida, não é exeqüível que muitos ou todos os instrumentos
sejam discutidos ao longo da graduação, tendo em vista que o número
de instrumentos não permite e que a prioridade é a qualidade de
ensino, em detrimento da quantidade de técnicas. Em relação ao tema,
Alves (2001) procurou avaliar, de maneira ampla, o ensino das
técnicas de exame psicológico. O estudo revelou que os professores
ensinam mais instrumentos do que é considerado como básico ou mínimo
pelos próprios e que há pouca diferença entre a lista de
instrumentos psicológicos efetivamente ensinados e a lista daqueles
que foram considerados como mais indicados para o ensino e, sob esta
perspectiva, erroneamente poderia se dizer que o ensino em avaliação
psicológica está satisfatório.
Para Pasquali (1999) o descrédito que ainda se encontra atualmente
em relação aos instrumentos psicológicos, muito se deve à deficiente
formação na área. O autor acredita que, embora a pesquisa na área
ainda seja incipiente, os poucos pesquisadores que estão
trabalhando, de alguma forma, já estão incomodando a classe de
psicólogos, no que se refere ao problema da instrumentalização, da
qualidade, do uso e da melhoria de testes psicológicos.
O
presente estudo constituiu-se num trabalho de levantamento e, embora
este tipo de metodologia ainda receba críticas, mudanças se fazem a
partir da reflexão de conjuntos de dados que revelam os diferentes
estados das áreas de conhecimento. Portanto, estudos desta natureza
são ainda importantes na área de avaliação psicológica para que as
mudanças aconteçam e sejam pautadas nos dados já estudados.
REFERÊNCIAS
Alchieri, J. C., & Scheffel, M. (2000). Indicadores da produção
científica brasileira em avaliação psicológica: resultados da
elaboração de uma base de dados dos artigos publicados em periódicos
brasileiros de 1930 a 1999. Anais do V Encontro Mineiro de
Avaliação Psicológica – teorização e prática e VIII Conferência
Internacional Avaliação Psicológica – formas e contextos.
PUC
Minas, Belo Horizonte/MG, 99-100.
Almeida, L. S. (1999). Avaliação psicológica – exigências e
desenvolvimentos nos seus métodos. Em S. M. Wechsler & R. S. L.
Guzzo (Orgs.) Avaliação Psicológica – perspectiva internacional
(pp. 41-55). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Almeida, L. S., Prieto, G., Muñiz, J., & Bartram, D. (1998). O uso
dos testes em Portugal, Espanha e países Iberoamericanos.
Psychologica, 20, 27-40.
Alves, I. C. B., Alchieri, J. C., & Marques, K. (2001). Panorama
Geral do Ensino das Técnicas de Exame Psicológico no Brasil. I
Congresso de Psicologia Clínica - Programas e Resumos.
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 10-11.
Alves, I. C. B. (2001). O ensino das Técnicas de Exame Psicológico
de Acordo com os Professores. Anais do IV Encontro da
Sociedade Brasileira de Rorschach e outras técnicas de avaliação
psicológica. Universidade São Francisco, Itatiba-SP, 62.
Azevedo, M. M., Almeida, L. S., Pasquali, L., & Veiga, H. M. S.
(1996). Utilização dos testes psicológicos no Brasil: da dos de
estudo preliminar em Brasília. Em L. S. Almeida e cols. Avaliação
Psicológica: formas e contextos v. IV (pp. 213-219).
Braga, Portugal. Buettner, G. E. V. (1997). Por que a formação
continuada? In CRP – Jornal do CRP, ano 17 (107), 2-4.
Cardoso, S. M. V. (1994). A prática docente no ensino superior
particular noturno: um estudo de caso. Tese de Doutorado em
Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
Castro, P. F. (2001). Reflexões acerca do processo
ensino-aprendizagem no método Rorschach na realidade brasileira.
Anais do IV Encontro da Sociedade Brasileira de Rorschach e
outras técnicas de avaliação psicológica.
Universidade São
Francisco, Itatiba-SP, 59-60.
Hays, R., &
Wellard, R. (1998). In training assessment in postgraduate training
for general practice.
Medical Education,
32 (5), 507-513.
Jacquemin, A. (1995). Ensino e pesquisa sobre testes psicológicos.
Boletim de Psicologia, XLV (102), 19-21.
Kroeff, P. (1998). Síntese de posicionamentos a serem feitos quanto
ao uso de testes psicológicos em Avaliação Psicológica. Anais
da 18ª Reunião Anual de Psicologia. Sociedade de Psicologia de
Ribeirão Preto, 535-537.
Noronha, A. P. P. (1999). Avaliação Psicológica: usos e
problemas com ênfase nos testes. Tese de Doutorado, Instituto de
Psicologia e Fonoaudiologia, PUC-Campinas.
Pasquali, L. (1999). Instrumentos Psicológicos: manual
prático de elaboração. LabPAM/ IBAPP, Brasília.
Pfromm Netto, S. (1991). Psicologia e guia de estudo. E.P.U:
São Paulo.
Primi, R., & Munhóz, A. M. H. (1998). Um estudo sobre proficiência
na disciplina Técnicas de Exame Psicológico (TEP). Psico-Usf,
3 (2), 75-86.
Rocha Jr., L., & Sá, A. A. (1997). Currículos de Psicologia: uma
análise crítica. Anais do I Encontro sobre Psicologia
Clínica. Universidade de Mackenzie, 145-147.
Sisto, F. F., Sbardelini, E. T. B., & Primi, R. (2001). Contextos
e questões da avaliação psicológica. São Paulo: Casa do
Psicólogo.
Vasconcelos, Z. B., & Toledo de Santana, C. M. (2001). O Ensino das
Técnicas de Exame Psicológico na Universidade Federal da Paraíba. I
Congresso de Psicologia Clínica – programas e resumos.
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 207-208.
Wechsler, S. M., Siqueira, L. G. G., Reis, C. L., Barbosa, N. C.,
Schelini, P. W., Nakano, T. C., Kodama, M. C., Merlin, M. S., Costa,
A. C. G., Leal, M. G., Nogueira, C. M., Zia, K. P., Rodrigues, R.
R., & Reani, P. R. T. (2000). Percepção da Necessidade de Pesquisas
em Avaliação Psicológica. Anais do V Encontro Mineiro de
Avaliação Psicológica e VIII Conferência Internacional de Avaliação
Psicológica.
PUC Minas, Belo
Horizonte, 53.
Witter, G.P.,
Witter, C., Yukmitsu, M. T. C. P., & Gonçalves, C. L. C. (1992).
Atuação do psicólogo escolar e educacional no Brasil: perspectivas
através de textos (1980-1992) Em A. L. Francisco., C. R. Klomfahs.,
N. M. D. Rocha (Orgs.). Conselho Federal de Psicologia -
Psicólogo Brasileiro construção de novos espaços (pp.23-53). São
Paulo: Átomo.
Witter, C. (1996). Psicologia escolar: produção cientifica,
forma;áo e atuação (1990-1994). Tese de Doutorado. Universidade de
São Paulo. São Paulo.
1
Doutora em Psicologia: ciência e profissão pela PUC-Campinas;
Docente do Curso de Psicologia e do Programa de Estudos
Pós-graduados
em Psicologia, da Universidade São Francisco, campus Itatiba-SP.
2
Psicóloga, mestranda do Programa de Estudos Pós-Graduados em
Psicologia da Universidade São Francisco e docente da UNIFENAS.
3Psicóloga
e mestranda bosista Capes do Programa de Estudos Pós-Graduados em
Psicologia da Universidade São Francisco.
Volver al Indice de Artículos