Os Equívocos da Educação Brasileira
Um dos maiores
equívocos está na responsabilidade administrativa do Ensino
Fundamental. Esta fase, antigo 1o Grau, ficou a
cargo dos municípios como se fosse a fase de menor importância
social. Já é hora de compreendermos que em um país de grandes
dimensões, como o Brasil, o ensino fundamental tem que ficar a cargo
do governo federal. O ensino profissionalizante (superior, técnico,
especializado, etc.) é que deveria ficar a cargo dos Estados,
Municípios e iniciativa privada. O governo federal não precisa se
preocupar com o ensino profissionalizante porque as necessidades e
aptidões produtivas de cada estado, e de cada município, produzem
por si mesmo as escolas técnicas e superiores de acordo com as reais
necessidades de cada região.
Observe que o Ensino Fundamental é a principal formação de qualquer
cidadão. Portanto, não é realmente prudente deixá-lo a cargo dos
municípios ou da iniciativa privada. A maioria dos políticos
municipais e donos de escolas particulares, ensinam apenas o que
eles acham que é certo. Muitos deles procuram transmitir, como boas,
somente suas ideologias pessoais formando assim cidadãos "míopes" e
tendenciosos. (Podemos constatar esta realidade observando o número
de partidos políticos existentes no Brasil.) A multiplicidade de
partidos caracteriza uma sociedade de educação divergente e
desordenada. Tal equívoco educacional tem transformado o Brasil numa
verdadeira torre de Babel (ninguém se entende adequadamente). Essa
“babelice” brasileira tem dificultado a formulação de corretas
soluções.
Durante a década de
90, um novo problema depreciou consideravelmente a qualidade do
ensino médio e fundamental nas escolas brasileiras. O excesso de
filosofias liberalistas, construtivistas e "inclusivistas",
agravadas pela ingenuidade do estatuto da criança e do adolescente,
propiciaram desordem e indisciplina no ambiente escolar. As
"liberdades pedagógicas" e a super proteção à criança, trouxeram
muito mais transtornos do que benefícios à Educação brasileira.
Hoje, com as recentes "melhorias", que proíbem a punição e
praticamente obrigam a aprovação via recuperação paralela,
recuperação da recuperação, NOA, etc., muitas escolas estão perdendo
o controle dos alunos e ficando desgovernadas. Os professores não
estão conseguindo dar suas aulas de forma satisfatória porque os
alunos estão desinteressados, indisciplinados e rebeldes. Com isso,
o ambiente escolar está se tornando altamente estressante e a
qualidade do ensino vem caindo dia após dia. O excesso de
benevolência ao aluno vem causando queda de qualidade e
comprometendo, inclusive, a personalidade e o caráter das novas
gerações. Isso, conseqüentemente, tem multiplicado o número de
pessoas improdutivas, levianas e também de marginais em todo o
Brasil. Até o uniforme ("shortinho sensual” exibindo as curvas mais
íntimas das crianças e adolescentes) adotado nos anos 90, é uma
imoralidade totalmente oposta aos objetivos educacionais. Hoje, a
sensação de impunidade (sensação de tudo pode) comum na maioria dos
jovens, já nasce dentro das próprias escolas.
Valvim M Dutra
Autor do Livro
Renasce Brasil.
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