A
afetividade na sala de aula: um professor inesquecível
II
MÉTODO
Participantes
Os participantes da presente pesquisa foram
escolhidos pelo fato de terem sido alunos do Professor M. e de
atribuírem a este um grau de importância considerável em suas vidas.
Os participantes foram localizados por intermédio do primeiro
sujeito. A princípio, realizaram-se conversas informais para se
certificar da importância do professor M. na vida de cada sujeito.
Seis ex-alunos concordaram, nessa primeira conversa, em participar
da pesquisa constituindo-se. Pois, como os sujeitos (S 1 a S 6).
Todos os sujeitos freqüentaram o mesmo colégio, em
um município situado a aproximadamente 50 quilômetros de Campinas.
Foi nesse colégio que os sujeitos conheceram o Professor M. Dos seis
sujeitos, somente um ainda vive no município onde se localiza a
escola; os demais residem no município vizinho, a 13 (treze)
quilômetros. Essa escola é particular e tradicional na região, com
mais de quarenta anos de existência. Mantém do Ensino Infantil ao
Ensino Médio.
O professor M. leciona nessa instituição desde os
primeiros anos da fundação, quando ainda era um seminário. Vale
ressaltar que, devido a essa relação histórica com o seminário, a
escola era reconhecida como uma instituição católica.
Era comum, nessa instituição, o aluno entrar no
início do primeiro ciclo do ensino fundamental (1ª à 4ª série) e
permanecer até o final do segundo ciclo do ensino fundamental (5ª à
8ª série). Foi o que ocorreu com os sujeitos da presente pesquisa,
exceto para S4 que entrou na 3ª série e S2, que iniciou na 5ª série.
Em 1997 a escola passou a atuar no Ensino Médio, por
isso, vários alunos, que estavam terminando a 8ª série, continuaram
na instituição para cursar o segundo grau. Assim, os alunos
permaneceram por mais tempo na instituição. Dentre os sujeitos, S1,
S3 e S5 entraram no Ensino Fundamental e formaram-se no Ensino Médio.
Todos os sujeitos tiveram contato pessoal com o professor M. somente
a partir da 5ª série. Os sujeitos já mencionados, que permaneceram
até o 3º ano do Ensino Médio, foram seus alunos por sete anos. Os
demais por quatro anos. É importante destacar que S1 e S6
pertenceram à mesma turma quando estudaram nesta escola. Os demais
foram de turmas diferentes, com intervalo de um ou dois anos.
Atualmente, cinco sujeitos são os estudantes
universitários; apenas S4 (24 anos) está formada, há dois anos, em
Fisioterapia. S1, tem 20 anos e cursa Biologia (2º ano); S2 tem 18
anos e cursa Arquitetura (1º ano); S3, com 21 anos, cursa o quarto
ano de Educação Física; S5, com 20 anos, cursa o terceiro ano de
Administração de Empresas; S6, tem 20 anos e cursa Nutrição (2º
ano).
Material
• Carta com relato da história de vida
Optou-se pelo uso da história oral para a coleta de
dados. Essa estratégia metodológica é utilizada para a elaboração de
documentos, arquivamento e estudos referentes à vida social das
pessoas. Sendo assim, a história oral é sempre uma história de tempo
presente, também chamada história viva. O sujeito principal desse
tipo de história oral é o depoente que tem liberdade para dissertar,
da maneira que julgar mais adequada, sobre a experiência pessoal. A
verdade dos fatos está na versão oferecida pelo entrevistado, que
pode revelar ou ocultar fatos, situações ou pessoas. Segundo Meihy
(1996) ‘nas entrevistas de história oral de vida, as perguntas devem
ser amplas, sempre colocadas em grandes blocos, de forma indicativa
dos grandes acontecimentos e na seqüência cronológica da trajetória
do entrevistado’. ( p. 35)
• Roteiro para entrevista
Foram elaborados roteiros para as entrevistas
individuais com os participantes a partir do conteúdo das cartas.
Procedimento
Após a seleção dos sujeitos da pesquisa, passou-se à
primeira etapa da coleta de dados. A cada sujeito foi entregue uma
folha na qual constavam informações sobre a pesquisa e uma proposta
de tarefa a ser realizada: foi solicitado para que, num momento de
tranqüilidade, escrevesse uma carta endereçada aos pesquisadores,
relatando algumas memórias sobre o professor M. e o papel dele na
sua vida. Esse momento visava favorecer o início do processo de
recuperação da história de vida, enriquecendo, assim, as informações
coletadas nas entrevistas posteriores. Destacou-se, ainda, a
importância de relatarem os fatos com maior detalhamento possível.
Duas cartas chegaram por e-mail. As outras quatro
foram manuscritas e entregues pessoalmente. Quando reunidas, foram
digitadas de forma padrão e impressas. A partir de uma primeira
leitura, foi possível perceber que os relatos faziam menção às
marcas principais deixadas pelo professor nos ex-alunos.
Provavelmente, os sujeitos nunca tinham elaborado suas memórias
sobre o professor M. Ao iniciar o exercício de registro dessas
memórias, o que veio à tona foram às lembranças mais significativas,
as quais foram destacadas como evidências importantes para a
elaboração das entrevistas.
A segunda etapa da coleta de dados foi realizada por
meio de entrevistas individuais, realizadas com todos os sujeitos.
Essas entrevistas eram, portanto, planejadas a partir dos conteúdos
das cartas. Tinham como objetivo coletar o máximo de informações
sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas pelo Professor M em sala
de aula, além dos relatos dos sujeitos sobre os impactos das mesmas
em suas vidas acadêmica, profissional e pessoal.
Os sujeitos foram consultados quanto à preferência
do dia e hora para a realização das entrevistas que eram agendadas
antecipadamente. Todas as entrevistas aconteceram nas residências
dos sujeitos e foram gravadas com consentimento deles.
RESULTADOS
Após todo material ter sido digitado e
transcrito, iniciou-se o processo de análise do mesmo. Analisar os
dados de uma pesquisa qualitativa consiste num processo de
organização sistematizada dos materiais acumulados durante a
investigação. Essa organização tem como objetivo auxiliar a
compreensão e interpretação dos dados, assim como apresentar ao
leitor aquilo que foi encontrado. Segundo Bogdan e Biklen (1994) ‘a
análise envolve o trabalho com os dados, a sua organização, divisão
em unidades manipuláveis, síntese, procura de padrões, descoberta de
aspectos importantes do que deve ser apreendido e a decisão do que
vai ser transmitido aos outros’. ( p. 225)
Para facilitar o trabalho, inicialmente foram
analisadas apenas as cartas. Essas foram lidas atentamente,
destacando- se os aspectos importantes. Ao lado desses aspectos,
foram escritas palavras-chave que representassem aquela idéia. Por
exemplo, ao lado da reprodução de falas do professor feitas pelo
sujeito, escrevia-se: “lembranças”. Esse procedimento é fundamental
como ponto de partida para a análise, visto que a palavra-chave abre
caminho para o pesquisador ultrapassar a significação aparente da
fala do(s) sujeito(s).
Tendo definido as palavras-chave, o passo seguinte
foi organizar o que Aguiar (2001) denomina Núcleo de Significação
do Discurso. Esses núcleos são gerados a partir de um esforço do
pesquisador na busca de ‘temas/conteúdos/questões centrais
apresentados pelos sujeitos, entendidos assim menos pela freqüência
e mais por ser aqueles que motivam, geram emoções’. (p.35)
Dessa maneira, foram criados os núcleos desta
pesquisa, reunindo os aspectos dos relatos em torno de um tema ou um
núcleo amplo que corresponda a uma resposta parcial ao objetivo
inicial estabelecido. À medida que a análise foi se desenvolvendo,
surgiu a necessidade de se criarem sub-núcleos, ou seja, os relatos
foram se agrupando de tal forma que em um assunto amplo (núcleo) se
inseriram temas mais restritos (sub-núcleos).
Após a análise das cartas, as entrevistas passaram
pelo mesmo processo, sendo utilizados os mesmos núcleos e sub-núcleos
anteriormente criados. É importante destacar que as entrevistas
reforçaram as informações das cartas, mas também apresentaram outros
dados importantes, o que propiciou a criação de alguns núcleos
diferentes dos já estabelecidos.
Na seqüência, apresenta-se a Tabela I com os núcleos
e sub-núcleos estabelecidos a partir da análise descrita
anteriormente e, na seqüência, a descrição detalhada dos mesmos.

O primeiro núcleo - Aspectos Pedagógicos - inclui os
relatos verbais que fazem menção às práticas pedagógicas que os
sujeitos identificaram como sendo importantes marcas deixadas pelo
Professor M. Foram definidos como aspectos pedagógicos os fatos e
relações que ocorreram dentro da sala de aula e que envolviam o
processo de ensino-aprendizagem. Tais aspectos foram organizados em
seis sub-núcleos, como se observa na Tabela I.
Subnúcleo - Avaliação
Nesse item, estão os relatos que caracterizam as práticas de
avaliação utilizadas pelo professor M.. De forma geral, os sujeitos
mencionam a prova escrita como principal instrumento avaliativo. É
possível perceber que, bimestralmente, os alunos eram avaliados
através de provas e que estas eram muito difíceis. Na carta de S1
aparece a dificuldade para tirar nota máxima nas provas. Esse mesmo
sujeito descreve que a prova era bastante longa, com exercícios que
confundiam o aluno.
Entretanto, a prova, enquanto instrumento avaliativo,
é vista como mais uma forma de participar e aprender, não sendo,
portanto, caracterizada como aversiva, como se observa no relato de
S4: “A prova dele, cinco seis folhas de prova. Tinha duas folhas
no caderno pra estudar e seis folhas de provas pra fazer, né? Provas
que você conseguia participar, conseguia aprender mais ainda com a
prova”. Um aspecto interessante é a estratégia utilizada para a
correção da prova.
Vários sujeitos contam que era muito comum o
professor aplicar a prova de gramática, recolhê-las e em outra aula
redistribuí-las para que os próprios alunos corrigissem. Mas o aluno
não corrigia a própria prova, e sim a do colega. Na fala de S1,
aparece a orientação dada pelo professor durante a correção: “A
correção da gramática era feita pelos próprios alunos. O M.
distribuía as provas trocadas, ou seja, cada aluno pegava a prova do
colega e então começava a correção oral que antes era explicada....
No final, nós contávamos quantos certos tinham e devolvíamos. Então,
o professor conferia as provas e juntava-as com a redação”.
Os dados apontam que essa forma de trabalhar com
avaliação auxilia na aprendizagem, pois o aluno soluciona sua dúvida
comparando sua resposta com a do colega ou com a explicação dada
pelo professor, durante a correção. Isso fica explícito no seguinte
exemplo de S2: “Quando tinha prova dele, na outra aula ele
entregava as provas pra cada um corrigir do outro e ajudava pra
caramba. Porque você olhava, via qual era sua dúvida a partir da
resposta do outro”. Deve-se destacar que os alunos tinham medo
de colar na prova do professor M., pois temiam sua reação.
Subnúcleo - Interdisciplinaridade
Encontram-se, nesse item, os relatos que indicam a prática do
professor de relacionar vários assuntos com a sua disciplina (Língua
Portuguesa). São relatos que apontam a importância de relacionar
temas reais e atuais como, por exemplo, a gramática, o que é
valorizado positivamente pelos alunos. S1 relata que era
interessante discutir assuntos diversos (como violência, sexualidade,
drogas, questões políticas e econômicas), a partir dos conteúdos da
língua portuguesa. Além disso, o Professor M. procurava discutir
tais assuntos para que os alunos pensassem sobre eles e opinassem,
tendo como principal objetivo estimulá-los a terem argumentos para
sustentar uma opinião. Observa-se no exemplo de S1: “E é
interessante que dentro de português, nós discutíamos sobre assuntos
diversos: violência, droga, amor, questões políticas, econômicas e
também relacionávamos tais assuntos. Ele fazia a gente pensar sobre
esses assuntos e ter uma opinião ou pelo menos ter argumentos para
não ficar em cima do muro)”.
Alguns sujeitos valorizaram a capacidade de o
professor de “tirar do nada” temas reais e atuais durante a aula.
Observa-se que o professor partia de figuras, interpretação de
livros e contos para iniciar uma discussão e reflexão sobre temas da
atualidade. “O que achava legal também, era a capacidade que
tinha de tirar do “nada” (de figuras, discussões de livros, contos)
, temas tão reais, e atuais para nós.... o poder de reflexão que
tentava trazer para nós e despertar em nós, isso achei fantástico e
aprendi bastante!”.(S3).
Outro aspecto interessante que aparece nos relatos é
a inclusão de aulas de latim no currículo escolar. Essa matéria era
ministrada pelo professor M., em horários específicos, fora da aula
de língua portuguesa, com intuito de auxiliar o aprendizado da
língua. S2 fala que, no início, os alunos não gostavam de latim,
considerando uma matéria inútil. “As aulas de latim (7ª e 8ª) que
no começo pareceram, a todos os alunos, um pouco estranhas e inúteis,
ajudou muito no entendimento de análise sintática”. (S2).
Subnúcleo - Práticas de Escrita
Relacionadas ainda com os aspectos pedagógicos, aparecem as práticas
de produção escrita. Nesse item, foram agrupados todos os relatos
que caracterizam os procedimentos utilizados pelo professor para
trabalhar com a escrita, ou seja, os artifícios utilizados para que
os alunos aprendessem a linguagem escrita.
Os sujeitos apontam as redações como uma atividade
freqüentemente proposta pelo professor. Na fala de S2, é possível
observar a importância do trabalho com redação, pois o sujeito
relata que, no Ensino Médio, não teve bons professores e assim não
pôde exercitar muito a escrita. O fato de ter participado das aulas
de redação do Professor M. foi de extrema importância para seu
sucesso no vestibular. O sujeito S2 comenta, ainda, a dificuldade
que todos tinham para tirar boas notas em redação. Os alunos sempre
reclamavam dessa postura rígida do professor M., mas, segundo S2,
isso fazia com que os alunos se esforçassem cada vez mais para
melhorar a nota e, conseqüentemente, a escrita. “As freqüentes
redações foram muito importantes já que no Ensino Médio não tive
bons professores e não pude exercitar tanto a escrita, ao me
preparar para o vestibular. Lembro que era muito difícil tirar notas
boas nas redações. Na época, eu e todos os outros alunos
reclamávamos muito, mas não percebíamos que essa atitude do
professor fazia com que nos esforçássemos cada vez mais e conseguir
melhorar as notas e conseqüentemente o jeito de escrever. Seria
muito diferente se ele não fosse exigente”. (S2).
É possível observar, também, uma caracterização da
prova de redação. S1 relata que a prova era composta de três temas e
o aluno deveria escolher um. Geralmente, era uma narração, uma
dissertação e uma carta cujos temas eram escritos na lousa pelo
professor. “Na prova de redação eram três temas que você escolhia
um. Os temas eram escritos na lousa pelo professor e geralmente era
uma narração, uma dissertação e uma descrição (eu acho). Era tema do
tipo:“Era aniversário de Paulo e uma coisa muito estranha aconteceu...”.
(S1).
S3 lembra o estudo dos tempos verbais. Ele
caracteriza a formação do futuro do subjuntivo dos verbos ver e vir
e, em seguida, fala da importância do aluno saber a origem do que
estuda, a sua lógica. “E se você aprender, ele fazia você extrair
a raiz. Aquele negócio de achar o tempo verbal, pra você construir o
futuro do subjuntivo: quando eu vir aquela pessoa ou quando eu ver?
Se você pensar no passado, por exemplo, viram, eles viram; e tirando
o am fica vir, se eu vir.. Então você tinha a raiz do negócio, você
sabia de onde vinha. Não é uma coisa jogada, sem saber a lógica e de
onde vem. E isso ajuda também pra sua vida, você se torna um cara
questionador”. (S3).
Subnúcleo - Práticas de Leitura
Nesse item, estão os relatos em que os sujeitos caracterizam a
importância de certas práticas de leitura na sua formação enquanto
leitores. Uma atividade bastante comentada é a leitura mensal de um
livro, que acontecia em todas as séries. Os seis sujeitos recordamse
dessas leituras, porém destaca-se o caso de S6. É impressionante a
relação que ela vai estabelecendo com os livros. No início de sua
carta, relata a aversão que tinha à leitura. “Quando eu entrei na
quinta série no Colégio, eu definitivamente detestava ler, e para
minha infelicidade todo bimestre tinha uma leitura de livro para ser
realizada e o pior, uma prova”. (S6).
Com o passar do tempo, e por causa do professor M.,
ele vai apreciando o ato de ler. O seu envolvimento foi tanto que,
em certos livros, relata que sentia os odores, sorria, chorava,
imaginava as cenas, enfim, vivia a história. Identifica que o motivo
de tudo isso acontecer era o professor, pois foi influenciado pelo
fascínio que ele tinha pelos livros. “Os anos foram passando, eu
continuei a ser aluna do M., fui pegando cada vez mais e mais gosto
pela leitura. Até que conforme eu lia eu sentia cheiro, imaginava
cenas concretas, sorria, chorava, enfim, eu saía do mundo real e
“entrava” no livro.Esse meu contato forte com os livros se deu
graças ao incentivo que eu tinha a partir do fascínio pelos livros
que o professor M. passava. Eu comecei a perceber, a entender de
onde vinha tanta sabedoria, e o porque ele defendia tanto a leitura.
Eu percebi que a cada livro que eu lia, a minha bagagem cultural
aumentava”(S6).
Na entrevista desse mesmo sujeito, é possível
observar, com maiores detalhes, seu processo de envolvimento com os
livros. Esse tipo de relato é relevante, visto que S6 atribui
claramente ao professor seu envolvimento e interesse pela leitura.
Houve o incentivo do professor quando abriu espaço para S6 dizer o
que sentia durante a leitura.
Outra prática comum do professor era a interpretação
de textos. Segundo S1, a aula de que mais gostava era esta, pois o
professor M. refletia sobre um determinado texto e buscava nele
lições de vida. Essa forma de estudar um texto passou a ser uma
prática comum de S1, que lia sempre refletindo e procurando
responder as perguntas que provavelmente o professor faria. “O
que eu mais gostava de suas aulas eram as interpretações de texto,
porque ele fazia a gente “viajar”. De um texto que aparentemente não
dizia nada, ele conseguia tirar um livro de lições de vida”.
(S1).
Ainda sobre a leitura, na fala de S3 observa-se uma
prática diferente das descritas até agora. O professor M. fazia um
trabalho com interpretação de figuras, buscando significados onde
aparentemente não existia. O sujeito demonstra ter gostado desse
tipo de atividade. “Ele fazia um trabalho legal com figuras.
Pegava uma figura do nada e começava:“O que você tá vendo aqui?”(reprodução
da fala do professor M.). “Ah! Eu não to vendo nada, só um telhado,
uma casa” (reprodução da fala do sujeito enquanto aluno); “ah é?,
Mas e essa casa, essa janela quebrada, não demonstra que ela foi
agredida?” (reprodução da fala do professor)” (S3).
É preciso destacar a estratégia utilizada pelo
professor M. para ensinar a leitura interpretativa em voz alta. S2
comenta que cada aluno lia uma parte do texto e, quando alguém lia
com entonação, mas não respeitando a pontuação, o professor
interrompia, sugeria uma alternativa e pedia para que a pessoa
repetisse. Segundo S2, era fácil aprender o uso da pontuação, sem
ficar falando especificamente sobre regras. “Em algumas delas,
líamos textos dos livros didáticos. Cada aluno lia uma parte..
quando um aluno não conseguia ler do jeito correto, respeitando a
pontuação ou a gramática, o professor fazia com que a pessoa
repetisse a frase, ensinando e destacando o erro. Talvez esse fosse
um método fácil de ensinar o uso de pontuação, sem falar muito em
regras” (S2).
Para finalizar este sub-núcleo, ressalta-se uma
proposta do professor M. vivida por cinco sujeitos. Na oitava série,
os alunos continuavam lendo um livro por mês, mas a avaliação não
era mais por prova. Esta foi substituída por uma discussão em grupo
em torno da história de livro. O professor reunia-se com o grupo
fora do horário de aula e todos discutiam e procuravam interpretar o
livro. Na carta de S2, há destaque para esse tipo de atividade.
Indica também que essa forma de estudar o livro facilitou o
entendimento, pois o professor ia direcionando a discussão. Foi em
um desses encontros que S6 relatou ao professor seu gosto pela
leitura, e passou a se envolver cada vez mais com os livros,
admirando ainda mais o professor. Durante a 8ª série (os livros
mais importantes eram lidos nessa época), as provas eram
substituídas por discussões entre grupos, direcionadas pelo
professor. Com isso, os livros eram entendidos mais facilmente e o
professor avaliava cada pessoa de uma maneira mais pessoa” (S2).
A
afetividade na sala de aula: um professor inesquecível
III
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